Diz o que eu preciso pra te ter aqui comigo

A música toca. Meus pensamentos se transformam em notas. Notas que me levam a você. Uma única música, mudando de personagens. Como pode? De um dia para o outro, o sorriso, o olhar… tudo mudou.

“Eu quero e sei que você também…”

Não sei quando, não sei “se”. Mas se um dia você conseguir ler os sinais, talvez faça acontecer. Talvez você me procure. E pode ser tarde.

Você mora em meus pensamentos, em meus sonhos. Um dia, uma noite, um beijo.

“Mas tem que partir de você… amor, fazer por merecer”

Não sei se a realidade será tão boa quanto a minha imaginação, mas queria que você soubesse que no meu silêncio mora um grande desejo “de te ter aqui comigo”!

A música. Eu. Você. E os meus pensamentos. Quem sabe um dia eles se tornem mais do que notas… Quem sabe?!

O dia em que meu herói partiu

Era por volta de 16h. Eu e meu irmão estávamos na casa de uma tia. Alguns familiares tentavam nos distrair enquanto nossa mãe estava no hospital. O telefone tocou. “Ma.. ma…” disse ele. “Você quer ver a Mariane e o Serginho?”. Uma lágrima caiu. Nós precisávamos ir até o hospital. Desta vez não teve escolha: era ir ou ir. Nosso pai queria nos ver.

Chegamos lá, o quarto cheio. Eu tinha acabado de completar 8 anos. Meu irmão, 5. Estávamos assustados. No leito, nosso pai. Aquele cara forte, alegre e amado. Agora, magro, cheio de aparelhos e triste. Era seu último dia na terra. Era nossa despedida.

Com um olhar distante, ele tirou forças de onde não tinha e nos abraçou. Abraçou e chorou. Minha mãe pediu: fala pro papai que você ama ele. Eu o fiz. “Pai, eu te amo”. Saí de lá sabe-se lá com o pensamento onde. Mas tenho certeza que me perguntava o que estava acontecendo ali. Eu não sabia porque estava todo mundo naquele quarto, rezando e chorando ao mesmo tempo.

Despedida. Essa era a palavra que definia aquele momento. Menos de 1h depois, ele partiu. “Vai Sergio, vai cumprir sua missão. Eu vou criar os nossos filhos…” E assim foi. Ele foi. A história foi. O meu melhor abraço se foi.

Hoje, me encontro mais uma vez aos prantos. O tempo ameniza as feridas, mas não as cicatriza. Há datas em que a saudade é inevitável. Eu sei que posso sentí-lo, que posso conversar com ele em pensamento, mas não é a mesma coisa. Eu posso, sei lá, abraçar meus tios, minha mãe-pai, mas mesmo assim, não é a mesma coisa. Eu queria voltar no tempo. Eu queria dizer: “Vai Pai, cumprir sua missão. Papai do céu está precisando de você. Vou ajudar a mamãe a cuidar do Serginho. E você terá muito orgulho de mim”. Não falei ali, mas falei em oração. E cumpri.

Aquele dia. Aquele momento. Aquele olhar. Tudo ficou no tempo. Em um tempo que eu não vejo a hora de reviver. Uma outra vida, uma outra história, mas com o mesmo amor. O nosso reencontro está próximo. Até já, Pai!

Ele me confunde

Ele some. Ele aparece. Eu finjo que não ligo. Eu ligo. Ele some de novo. E eu fico pensando: por que mesmo? Manutenção, só pode.

Ele é diferente… de mim. Ele não tem nada a ver. A história também não. A vida… não. Nada. Por que?

Se eu estou com a cabeça ocupada, nem lembro. Mas bate um minuto de ócio e… por que?

Ele, sempre ele. Há 3 anos, ele. Dá pra sumir de vez? Porque aparecer não ajudaria em nada. Diferente. Muito. Ele. Eu. Nada. Ahhhh, por que?!