O meu amor de carnaval

Fui pro carnaval meio que contrária a minha vontade. Queria fazer diferente. Mudar minhas atitudes. Então, não estava nos meus melhores dias. De TPM e chateada, sabia que a qualquer hora podia dar merda.

Primeiro dia, pessoas novas, casa ainda vazia, bebida na faixa. A sexta-feira se resumiu a abraços de saudades e abraços de “prazer, eu sou a Nane”. Logo fui me recolher – que velha.

Chegou então o sábado. O primeiro dia de bloco. Apesar de não estar super animada, me arrumei e fui. No meio do caminho já percebi que não estava na mesma vibe que as meninas. Primeiro carnaval delas por lá. Primeiro carnaval que elas passavam solteiras… Grudei em uma amiga e fui curtir a bagunça do meu jeito.

No meio de tantos “vem cá, me dá um beijo, me carimba…”, perdi minha amiga. Que desespero. O que ia fazer? De repente, olho pra frente e vejo um moreno alto, bonito e sensual (ele vai se achar pouco). E eu sou maior metida a bravinha do pedaço, né? “Nem vem, não beijei ninguém hoje e você não será o primeiro. Não tô na vibe de carnaval”. Ele continuou parado, olhando pra minha cara. Devia estar pensando “que menina zuada, se achando a  última bolachinha do pedaço…”

Ele abriu o sorriso mais lindo de todos, com a covinha mais linda de todas, e soltou um “Eu toquei em você? Eu tô aqui parado”. Desarmando a Nane Mari Onça Costa em 3…2…1. Relaxei e ri. ” Eu perdi minha amiga. Ela está de gatinha também. Você é alto… podia me ajudar”. Fiz a inocente (risos). E lá fomos nós dois em busca de Paulinha. Dava nome de filme.

Depois de um tempo, a gente achou a Paulinha. E achamos, também, as coincidências. “Eu sou geminiana, chata, brava…” Ele respondeu: “Eu também sou…” Bêbado sempre exagera nas coisas, né? “MENTIRAAAAAAAAA. De que dia?” Adivinhem? “9″. Por favor, existiam 12 mil pessoas naquele show. Eu fui encontrar um cara que nasceu no mesmo dia que eu. Que era lindo, sorridente, DANÇAVA BEM, alto, mais velho (essa parte foi uma superação, sempre curti trocar fraldas)… chega de rasgar seda.

Fiquei em choque. E falei mais do que devia… “Tentei namorar um geminiano, não deu certo…” Pessoas normais falam isso para pessoas que elas acabaram de conhecer e que muito as interessam? Óbvio que não. Maldita catuaba.

Ok. O amor acabou aí. Mentira. Chegou o domingo. Acordei e fui pra chácara onde estava minha tia. “Tia do céu, tô apaixonada… encontrei o homem da minha vida. Ele nasceu no mesmo dia que eu…” Contei toda a história acima. “Pegou celular?” Menina, justo eu que não vivo sem celular, não tinha nada dele. NADINHA DE NADA. Malemá o nome, que eu fui “lembrar/descobrir” depois. Maldita catuaba, again.

A pergunta era: como vou encontrá-lo novamente? Vesti a esperança e fui. Cheguei na festa e ficava só de olho nos altões. Nada dele. Desencanei. Quer dizer, esqueci né. Catuaba feelings. De repente, começa a tocar aquela música “o AMORRRRR pode estar do seu laaaaado”. Estava animada cantando quando resolvi, de fato, olhar pro lado. ADIVINHEM??????????? Sim, ele estava do meu lado e não havia me visto também!

“Achei que você tinha agarrado um estranho”. Oi? Eu não agarro ninguém, ainda mais estranhos. ERA O MEU AMOR DE CARNAVAL. Mas, como miséria pouca é bobagem, não levou minutos até minha tia ir falar com o moço: “o que você fez que deixou minha sobrinha apaixonada? Ela falou de você o dia inteiro!” Vou voltar algumas linhas: pessoas normais falam isso para pessoas que elas acabaram de conhecer e que muito  interessam a sua sobrinha? Nãoooooooooooooooo!

Bom, ele estava quieto. Acho que confuso. OU decepcionado. Ficava toda hora mexendo no maldito celular. Combinando algo com outra paixão de carnaval? Não sei e não quis saber. Desapaixonei e fui pra pipoca. A “despaixão” durou pouco. No outro dia, queria vê-lo de novo. E não vi. Ele disse que me viu, mas não foi falar comigo. Amores de carnaval não correspondidos, a gente vê por aqui.

Você deve ter rido da minha cara, deve ter sofrido comigo (diz que sim), mas chegou até aqui e se perguntou “e aí? Será que esse amor subiu a fronteira? – eu estava em MG”. Sinto decepcioná-los. Eu queria que tivesse subido, mas ele empacou na internet.

O bonitão da balaxita deve ser apaixonado pela ex. Deve ter mil mocinhas pra quem ele sorri diariamente com aquelas covinhas lindas. Eu nunca mais o vi, apesar de estarmos tão perto. E não tenho esperança de que isso aconteça.  Ele aparece de vez enquando, como bom geminiano que é, mas se ocupa bastante com os números. Eu não posso julgá-lo, eu também sou assim.

Mas tudo bem. Comigo ficam as lembranças de uma paixão de 4 dias, com gostinho de quero mais. Qual o próximo carnaval mesmo? Mentira, o próximo evento é 2 de janeiro de 2015, meu casamento. Já tiraram as medidas para o traje de gala? Contagem regressiva… Ah, ele não será o noivo. Cadê meu namoradinho da internet? O pedido está de pé? Posso começar a fazer os convites!? Ah, as paixões, os amores… uma hora vai! E se não vai, fica… lá no passado! #partiu

Minha vida na outra vida

Minha vida na outra vida

Toda quarta-feira eu tenho um compromisso com minha fé. Entre tantos sorrisos, surpresas, choros, velas e banhos de defesa, um assunto mexeu muito comigo: a reencarnação.

Estava no hospital visitando um tio quando recebi uma mensagem: estou grávida. Na hora, uma prima, que estava comigo, disse: é o seu pai que vem. Oi?

Sei que ela não disse por mal. Ela apenas reproduziu a intuição que teve na hora. E eu não recebi a notícia como ela esperava. Fiquei muito mal. Chorei por semanas. Desconfiei da minha própria religião. Como assim, meu pai reencarnar na mesma vida?!

Não aceitava. A notícia se espalhou. Todos ficaram felizes, menos eu. Como eu falaria com meu pai? Como ele cuidaria de mim? Como ele seria, agora, meu primo? Não, não e não.

Fui ao centro descrente, chorosa. Tomei um sermão. Eu devia ficar feliz. Se meu pai estava reencarnando era para o seu próprio bem; ele havia pedido por isso. Mas como falar isso pro meu coração…de filha?!

Só me conformei quando desmentiram a tal reencarnação. “Seu pai vai voltar sim, mas não agora!”

Esqueci o assunto. Voltei a sorrir e acreditar na religião. Até que um dia, o assunto veio à tona de novo. E o choro foi involuntário. Um dia ele vem…

Vendo minha reação ao assunto, o guia indicou um filme: Minha vida na outra vida. Alguém já viu? Assisti hoje. Nem preciso dizer que estou 200g mais magra, de tanto chorar, né?

Lindo. Em poucas palavras, uma mulher começa a ter lembranças da sua vida anterior. Ela lembra de seu marido, seus filhos… e vai atrás deles. É sensacional.

Terminou e eu fiquei pensando. Será que um dia eu terei lembranças deste tipo? E se meu pai voltar, será que ele vai se lembrar de mim, do meu irmão, minha mãe? Como funcionam essas lembranças?

Acho que o intuito do filme era ilustrar o fenômeno; me acalmar. O efeito foi ao contrário. Me sinto cheia de dúvidas. As interrogações me perseguem. Como?

Como ele vai reagir ao me ver novamente? Como eu vou reagir o vendo em outra vida? Ele vai se lembrar de mim? Vai me abraçar com carinho? Vai lembrar de fatos? Detalhes? Vai me olhar nos olhos? Vai ser grudado a mim? Como vai ser?!

Enquanto isso não acontece, ficam as dúvidas. A certeza? Só de que o futuro a Deus e aos nossos pedidos pertence.

O que será que eu pedi lá em cima, né?

Saravá, meu pai!