“A esfiha fez mal pro pai…”

Viajar de ônibus é sempre uma caixinha de surpresa. Você nunca sabe o que vai acontecer…

Confesso que sou meio antissocial. Comprei minha passagem pela internet e escolhi um dos últimos bancos, na janelinha.

Cheguei e já tinha um cara sentado, no corredor. Dei uma risadinha simpática e disse que o meu lugar era ali do lado.

Ele foi bem educado. Se levantou e perguntou se eu queria que ele guardasse minhas bolsas no maleiro. Neguei e sentei.

O moço estava cansado. Ofegante. E era um pouco acima do peso. Portanto, eu estava espremida. Coisas da vida…

O motorista conferiu 5x o número de passageiros, até que resolveu partir. Do outro lado, poltronas vazias. Óbvio, o mocinho foi pro outro lado. Ufa!

A viagem era longa. Umas 4h de estrada. Em cada cidade que parava, novos passageiros apareciam.

Agora vem a melhor parte. De repente, chega um moço e seu filho. Um menino de aproximadamente 5 ou 6 anos. Serelepe que só. Ele pulava na poltrona ao som de “ai se eu te pego…” É, a entrada de Michel Teló no The Voice trouxe à tona seus antigos sucessos.

Eu olhava no celular toda hora. Por que não chegaaaaa?

Encostei a cabeça no vidro e me deixei levar pela paisagem. Do nada, veio um cheiro… MEU DEUS!

Achei que era apenas um ‘pum” fugitivo. Não… era alguém com diarreia dentro do banheiro do ônibus. Voltando à compra da minha passagem,  últimos bancos… PERTO DO BANHEIRO! Mandei mal.

O cara demorou. O cara era o pai do menininho. O cara tentou se explicar e… spoiler: eu amo crianças ingênuas.

“O pai ficou preso no banheiro e você nem foi lá ajudar…”

“Eu fui, mas tava um cheiro muito ruim e eu voltei…”

HAUUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUAHUAHAUA Nessa hora eu queria MUITO rir, mas eu me segurei.

“A esfiha fez mal pro pai…”

Sério. Eu ganhei minha viagem. Logo eles desceram. E eu pude tirar a mão do rosto, que tampava sutilmente meu nariz.

Crianças, suas lindas, vocês fazem a gente passar vergonha, mas nós amamos vocês! =*

Eu estou tão cansada…

Eu estou um pouco cansada. Cansada das pessoas falando mal uma das outras. Cansada de brigas. Cansada de desastres. Cansada da roubalheira do governo. Cansada de mimimis…

Porém, existe um cansaço que está sendo alimentado há anos e que não tem fim.

Estou cansada de ser procurada quando o seu relacionamento atual não dá certo!

Às vezes, eu até me lembro de você. Quando o seu time vence, quando uma música começa a tocar, quando fazem uma piada que só você fazia, quando vejo uma foto, uma fantasia, ouço falar de um lugar…

Eu me lembro, mas guardo a lembrança pra mim. Ok, você pode dizer que em um desses momentos, eu até te mandei uma mensagem despretensiosa. Alguma mensagem regada a álcool. Mas parou por aí.

Eu não falei que fico pensando em você, que estou com saudade e, muito menos, te chamei pra sair. Você faz parte do meu passado!

Eu também tive outros relacionamentos que não deram certo, mas nem por isso eu peguei minha agenda telefônica e saí enviando mensagens.

Muitas coisas não dão certo na vida da gente. Bola pra frente. Viver de passado? Esse tem sido seu maior erro.

E não vem me dizer que me procura porque gosta de mim, porque sente minha falta. Se gostasse, estaria comigo e não com outra.

Não adianta falar, também, que é muito mais fácil mandar uma mensagem pra mim, que já passei pela sua vida, do que tentar conquistar uma pessoa nova.

Eu não sou step, eu não sou obra de museu, eu não sou o amor da sua vida. Será que é tão difícil de entender?

Cada vez que você me manda uma mensagem, eu vou buscar seu status de relacionamento. E quando vejo as fotos apagadas e o “solteiro” em letras garrafais eu penso: ‘que idiota!’

Os tempos mudaram, baby. Se antes eu caía na sua ladainha, hoje eu só lamento.

Lamento por não ter conseguido manter o “eu te amo” que você disse tanto a sua ex. Lamento por não ter conseguido transformar o desejo e a paixão em amor. Lamento, só lamento.

Estou tão cansada…

Não, o problema não é você, sou eu… que amadureci! =*

Você se adoece

Ninguém quer saber dos seus choros, das suas orações. As pessoas só querem falar sobre a roupa que você estava usando, o copo que estava na mão e a companhia da sua foto. Ninguém quer saber se você passou noites em febre, com dores. As pessoas querem saber onde você foi, que dia você foi e como você foi.

Quem quer saber de doenças? De sofrimento? De desabafos?

Eu sempre fui alvo de comentários, de amigos, de familiares. Os mais velhos falam na cara da gente. Os outros, nas costas. Não sei o que é pior. Acho que os dois. “Nossa, você só vai em festa…” Alguém paga minhas contas? Alguém ajoelha e reza comigo pedindo força, fé e luz? Alguém vai comigo toda quarta-feira limpar a energia? Hein?

As pessoas acham que porque você faz uma viagem, está ganhando bem… Alguém sabe o quanto você economiza por mês? Quanto você paga de contas? Hein?

As pessoas são maldosas.

As pessoas são egoístas.

As pessoas são pessoas.

E sendo pessoas, eu tenho dó delas.

Eu rezo por elas.

Eu choro por elas. Como estou chorando agora. Um choro que está guardado há alguns dias. Um choro de desespero. De um misto de pessoas com energias baixas. De problemas. De sufoco. Um choro que é só meu e ninguém vê. Vai falar o que? Sobre o que? Por que?

A gente se adoece. Você se adoece. E eu estou me adoecendo aos poucos, me calando, me segurando, me apoiando Nele. Por que eu sei que tudo isso só me fortalece!

É assim a vida. É assim a minha vida. Nas redes sociais, você é artista; pinta a vida que você quiser. Já encarnou o Picasso hoje? Eu vou de Louis Jean-François Lagrenée ao som de “Gloomy Sunday”.

 

Você viaja na maionese?

Quem me conhece sabe que eu sou vidrada por criatividade. Amo coisas diferentes, inovadoras. E amo escrever. Juntou tudo e… me pediram ajuda com redação.

Não era a primeira vez. Li, pontuei os erros ortográficos e fiquei pensando: “Meu Deus, será que todas as crianças estão escrevendo apenas para cumprir tarefa?” Cadê a criatividade?

“O passarinho atravessou a rua, veio um carro e o atropelou. Fim”. Mais ou menos isso. Ou quase nada parecido com isso. É um exemplo. Direto, reto, feito. Nãooooooooooooooo! Como chamava o passarinho? Qual era sua raça? Ele estava atravessando uma rua? Qual? Por que ele não estava voando? Que carro era esse que o atropelou? Quem estava dirigindo? Por que o motorista não avistou o pobre do passarinho? Ele o socorreu? A mãe do passarinho apareceu?

Como diria uma colega, “há tantas perguntas sem respostas”.

Fiquei chocada. Instiguei a criança e depois recebi o feedback: “A professora leu o título, ficou surpresa. Elogiou minha redação”. Era a continuação de uma tirinha da Mônica sobre gangorra, senão me engano. O título dela citava os personagens e o objeto em questão. Falei pra ela: “Se fosse eu, colocaria assim no título – Um é pouco, dois é bom, três é demais”. Ela ficou me olhando como se tivesse falando grego e aceitou a sugestão! Não?

O fato é que depois deste episódio, eu resolvi que ia fazer alguns testes. Ia fazer uma espécie de oficina de criatividade com as crianças lá de casa. E fui contar a novidade pra elas: “A Má quer fazer um teste com vocês. Vocês precisam aprender a viajar na maionese…”

A menor riu e não segurou a interrogação: “Má, o que é viajar na maionese?”

- É pensar em coisas que não existem. Tipo, um cavalo que toma sorvete, uma pipoca que fala, uma nuvem que pula corda…
Ela ficou me olhando e continuou andando. Chegando em casa, estávamos todos na mesa do famoso café da tarde quando ela vira pra minha mãe: “Tia Maria, você sabe o que é viajar na maionese?”

Minha mãe riu e negou. Ela respondeu “É pensar num cavalo que toma sorvete, uma pipoca que fala, uma nuvem que pula corda…” Eu nunca ri tanto!!! “Eu vou ensinar pras minhas amigas na escola…”

A tarde foi longa e ela queria logo aprender a viajar na maionese. Enquanto comíamos um balde de pipoca, comecei o exercício:

- Vamos imaginar que essa pipoca tem vida e está indo visitar… quem?

- Sua tia… um amigo… Cada uma respondia uma coisa.

- E quem era sua tia?

- Uma pipoca… não, uma abóbora. É, uma abóbora.

Elas olhavam pra mim sorrindo. Estava na cara que naquele momento, haviam sido transportadas para o Mundo da Pipoca falante.

- E a tia abóbora tinha filho?

- Tinha, 1.

- E como ele se chamava?

Ficamos por algum tempo viajando na maionese, na pipoca, na abóbora, na imaginação. Foi gostoso. Que tal fazer isso em casa? Aperte os cintos e BOA VIAGEM!