O curioso sofre

“Como será que está fulaninho(a)?” Quem nunca acessou o perfil alheio que atire o primeiro like.

A gente é assim, curioso por natureza. E sempre há de ter uma listinha de pessoas que despertam esse nosso instinto de detetive. Algum antigo colega de colégio ou de faculdade, um ex-crush, um vizinho, um parente distante, a atual de alguém, um amigo que seja. A gente stalkeia mesmo.

O duro é quando a gente quer saber de alguém que… por alguns, quase sempre, péssimos motivos, não está no nosso convívio mais. Sim, digo aquelas pessoas que a gente bloqueou na vida, nas redes sociais, no telefone.

Ai gente, dá vontade de saber como estão as coisas. Se casou, teve filhos, se largou, se está viajando, se está suando muito. “Mas que dá vontade dá, de jogar tudo pro ar….” Guilherme e Santiago é vida. Ponto.

Bom, e aí vem o título à tona. O curioso sofre. Sofre porque busca informação e encontra o que espera, mas não quer. Sofre porque vê que a pessoa está mega bem. Sofre porque sofre.

Sempre fui dessas. Mas olha, vou te contar, ando tendo um auto-controle elogiável. “Por que mesmo que você vai fazer isso?” Sempre ecoa no meu pensamento.

Meu anjo da guarda está trabalhando intensamente. Enquanto meu ID diz “vai lá, desbloqueia, busca informação mesmo, uhul, aja, agora, now, everybody”, meu superego aconselha “não faça isso. por que você quer fazer isso? não influencia na sua vida. Você está bem. Pode parar. Fecha isso aí”. Nãooooooooooooooooooooooo. Sim. Eu obedeço.

Não foi a primeira e nem a última. E, com certeza, não foi nos meus melhores dias. A gente curte sofrer. Sofrer muito. Potencializar o sofrimento. Mas hoje, só por hoje, eu virei a cadeira pro superego. Obrigada, amigão, #tamojunto. Aqui não tem essa de “Solta o Mantega”. Prendeu, tá preso. TU TU TU.

Mar? Acho que eu vou é pro bar!

Eu sempre amei água. Desde cedo estava acostumada a dar umas braçadas nas piscinas alheias. Quantas competições, medalhas…

Não tinha medo. Até certo dia, no sítio, a gente brincar de passar debaixo da perna dos outros na piscina. Meu primo, muito engraçado, me prendeu debaixo da água. Quase me afoguei. Fiquei traumatizada. Sério.

Mas como a nossa memória falha, eu acabei esquecendo disso. Nadei em piscina, em mar… acho que em rio nunca. Nem represa. Só piscina, mar e… cachoeira. Como poderia esquecer.

Tudo raso. Tudo sob controle. Tudo tudo, até eu quase morrer afogada neste carnaval. Não contei aqui, ninguém precisava saber. Não naquele momento.

Em fevereiro, decidi trocar Muzambinho por Maresias. Mais calmo, pessoas mais velhas. Achava que tinha feito um super negócio. A-HAM.

As pessoas eram gente boníssimas. A casa? Boa, vai. E os borrachudos? Uns fanfarrões. Minhas pernas ficaram bizarramente vermelhas, com bolotas enormes. Pra ajudar, tive diarreia. Perdi 1kg em pleno carnaval. Também, só no Gatorade e biscoito de polvilho! Cerveja só no primeiro dia. Que karma.

Mas isso tudo é contexto. Chegamos cedo na cidade. Resolvemos, então, almoçar e ir pra praia. Cerveja a rodo. Dá vontade de que? Sim, xixi. Hora de ir pro mar. De leve. Com boné e óculos. Uma ondinha, duas…

Quando eu vi, estava no fundo do mar, sozinha. Meus amigos falando pra eu voltar. Ah, se fosse fácil. Não conseguia. Simplesmente não conseguia. Uma onda atrás da outra. Enormes. Eu nadava, nadava e não saía do lugar. Não dava pé. IMAGINA O DESESPERO.

Em uma das ondas, meu boné saiu. Tinha acabado de comprar. Corri atrás. Na outra, meu óculos. Esse, não consegui segurar. Tudo bem, ele era caro, mas isso a gente conquista de novo.

Com muito sufoco e proteção, consegui voltar à beira da praia. Chocada, sem ar, sem óculos, sem entender nada…

Na minha cabeça só vinha: como vão avisar minha família que eu morri afogada? Vou acabar com o carnaval da galera… Eles não têm o telefone da minha casa… Meu deus, minha mãe vai me matar quando eu disser que perdi o óculos…

Passou. E aí eu fui picada, eu tive diarreia. Isso vocês já leram ali em cima.

Quando voltei pra Campinas, fui ao terreiro (sim, sou umbandista com muito orgulho). Vontei tudo isso ao meu guia. Ele foi bem direto: você foi pra praia, pediu licença pra Iemanjá? Rezou?

Não, eu não tinha feito nada disso. Confesso, nem lembrei. Tava no clima de folia. Queria pegar uma cor, beber e me divertir com a turma que estava comigo. Que falta de juízo.

Bom, agora, cá estou eu, com medo de água. Nunca mais fui pra praia. Só de pensar em água, me dá um sentimento ruim. Tipo o que eu senti com a história do ator. Que pavor.

Será que em alguma vida eu morri afogada?

Piscina, ok. Cachoeira, ok. Mar? Acho que eu vou é pro bar! Minas Gerais, que saudades de você!

Quer ser meu crush?

Não sei quem teve a ideia de transformar o famoso “paquera” em “crush”, mas hoje em dia a gente só escuta isso.

Curiosa que só, fui ver o que o termo significava. Primeiro resultado: esmagamento. Mais gente, lembrei  da Felícia na hora. Abraço de uuuuuuuuuuuuuurso.

Mas não, este não é o único significado. Compressão, aperto, aglomeração… Acho que estou de boa de ter um crush. Fugindo loucamente de apertos.

Já te enrolei demais, né? O termo pode designar, também, um namoro ou uma paixão súbita. Fez sentido agora?!

Esse é o ponto. Quer ser meu crush?

Sou uma super entusiasta do Tinder. Falo pra geral o quanto eu acho a ferramenta maravilhosa. Se você acha que lá só tem gente feia e nada a ver com você, ok. Confesso que no começo, havia mais curiosos bem apessoados. Mas uma coisa é certa, do começo até hoje, a diversão é garantida.

O ponto é: você vai lá, conhece algumas pessoas e fica frustrada. O mercado está escasso. Cadê os crushs qualificados?

Pra não perder mais tempo, resolvi fazer uma listinha de pontos, para avaliar os prospects. Observação: fiz isso em tempo real, conversando com um tinder boy. Era uma brincadeira, mas fez tanto sentido… (risos)

1) Ser alto (mais de 1,80m) = 10 pontos

2) Ser simpático e inteligente  = 10 pontos

3) Ter envolvimento com algum projeto social = 10 pontos

4) Curtir ou ouvir sertanejo = 10 pontos

5) Gostar de crianças = 10 pontos

6) Não ter filhos = 10 pontos

7) Saber dançar = 10 pontos

8) Não ser pão duro = 10 pontos

9) Ter o sorriso bonito = 10 pontos

10) Ter covinhas = 20 pontos

Ponto extras:

Curtir tecnologia = 10 pontos

Gostar de festa = 10 pontos

Curtir viajar = 10 pontos

Saber tocar violão = 10 pontos.

E aí, quer ser meu crush? A média é 8. =p

O ppt do crush perfeito

O ppt do crush perfeito

Desculpe o transtorno, preciso falar de mim

Fui a última da minha turma a dar o destemido primeiro beijo. E adivinha? Achei horrível. “Era só isso? Não quero mais. Nunca mais”. Foi em uma cara que eu conheci no ICQ. Apesar de ser apaixonada pelo meu vizinho, queria treinar antes com algum desconhecido, que eu nunca mais veria.

Sim, a insegurança mandou lembranças. E foi. Ele fumava, era magricelo e repetente na escola. O genro que minha mãe sempre sonhou pra ela, só que não. Nunca mais o vi. E nem tive notícias. Era este o objetivo, né?

Eu logo esqueci a decepção do primeiro beijo e saí curtindo a vida adoidado. Que época boa. Usava a barriga de fora, lentes coloridas nos olhos, trocava o All Star com a minha vizinha – a gente ia com um pé rosa e um pé vermelho, nas domingueiras. Eu não fazia ideia do que estava fazendo.

Quantas horas passei conversando com crushs no ICQ… Naquela época não tinha esse nome e nem a internet de hoje. Brigava em casa. Ligava o pc à meia noite e me divertia horrores com a conexão do IG. O e-mail? Hotmail, claro, com apelidos esdrúxulos. O meu era “fyotinha”. Não me pergunte o porquê.

O tempo passou. Aprendi que paixões a gente tem aos montes. Desde o vizinho mestiço, o cantor da pop band, o cara mirradinho do colégio, o emo da balada.

Você irá ao cinema com alguns, bares com outros, teatro, stand ups, restaurantes… e todos passarão. Todos ficarão apenas na sua pequena memória de elefante.

O primeiro namorado de 4 meses… O segundo e último, oficial, de 8. Sempre meses. Passageiros. Marcantes. Especiais.

Seria perfeito se parasse por aí. Mas não, você sempre vai se deparar com serumaninhos escrotos, mulherengos, machistas e vai desistir da vida amorosa.

Não por muito tempo, porque a tecnologia está aí pra ajudar. Tinders, Happns e muitas pessoas que você jamais conheceria na balada, no bar, no supermercado aparecerão. Que romântico.

É vida que segue. É paixão que acontece. É falta que sempre vai existir.

Na minha cabeça, passou um filme. Pensei que fosse chorar com algumas lembranças. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido tudo isso e ainda estar viva, com sequelas, mas viva (risos).

Não falta nada. Na verdade, ainda falta. Mas tudo tem seu tempo. Tudo tem sua trilha sonora. Tudo tem sua poesia.

Quer saber?

Desculpa o  transtorno, mas eu precisava falar de mim.