Eu ia mal em redação

Talvez vocês não saibam, mas eu sempre fui bastante estudiosa. E por mais que eu me esforçasse, eu tive lá minhas notas vermelhas no colégio. Inclusive, em redação!

Quem foi aluna da Tia Dani – capa da Capricho/corretora de redações da Unicamp – sabe bem como era a pressão.

Eu sempre escutava a mesma frase: seus textos parecem colchas de retalho. Será que eram colchas bonitas? Floridas? Com cores vivas?

O fato é que eu nunca soube dissertar. Escrevia, escrevia e ganhava 4,5, às vezes um 5, mas não chegava na bendita média.

Massss, tia Dani era boazinha e no bimestre seguinte me pedia uma narração, pra eu deixar meu boletim azul. Aí era lindo. Textão cheio de referências, doideiras, sentimentos. AMAVA! E continuo amando.

Viajava na maionese com gosto. Tanto gosto que chamei a atenção do prof. De Física.

Não, você não leu errado. Pensa na colcha de retalhos. Um assunto puxa o outro. E o meu texto puxou o Betão, que era o melhor professor de Física, líder do projeto de 50 anos do colégio – sobre espelhos.

Eu ia bem na matéria dele. SIM, eu ia bem em física, meus amigos, e mal em redação. VEJA BEM! Enfim, Betão gostava de mim. Soube que eu gostava de escrever e participava de tudo do colégio. Betão me convocou.

Da física só o reflexo, os espelhos. Da redação, o meu depoimento.

Criei um texto. Decorei por 3 dias. Na onde? Na frente do espelho. Gesticulei, falei, errei, falei de novo. Fui.

Antes de mim, muitos colegas leram seus textos, jograis e o caralh# a quatro. Chegou minha vez. Subi no palco. Não li. Interpretei. Um texto meu. Uma narração, claro. Era sobre minha história com o Imaculada. Minha história e de muitos que estavam ali na plateia. 14 anos, no mesmo colégio. Haja história.

Enquanto falava, pausava, voltava a falar… olhava para todos os lados. Fazia aula de teatro na época.

Apesar de curtir sertanejo, naquele momento eu SAMBEI.

Todos ficaram de pé. Todos batendo palmas. Tia Dani foi atrás de mim e de minha mãe: “Ela precisa fazer jornalismo”.

Por que mesmo que eu os escutei? Passei em 3 faculdades de FARMÁCIA. Além da física, eu ia bem em química também <3. E fui parar em jornalismo. Eu, que não curtia ler, não sabia dissertar, não conhecia um só jornalista, não tinha noção do que era Bossa Nova e… eu!

Lá fui eu.

4 anos de muita gratidão. Hoje, eu acho que sei dissertar – apesar de não gostar -, conheço alguns jornalistas, li MUITOS livros, passei a curtir Gal Costa e… nunca trabalhei com jornalismo.

A vida é assim, né migos…

Amo escrever, mas amo mais viajar na maionese. Amo mais internet. Amo mais criar.

É… eis aqui uma jornalista por formação e uma publicitária por paixão. Notas vermelhas? Que cheiro tem? Qual a embalagem? Vai vender onde? Vamos conversar sobre…

Eu não sou branca, sou transparente

Minha mãe conta que meu pai teve um teretetê com uma moça muuuuuito branquinha, com apelido de “litrinho de leite”. Pra pagar os seus pecados, eis que nasci eu, quase engessada hahaha

Mas não vim falar sobre isso. Pra variar, saio do foco pra chegar onde eu realmente quero. Adoro rodeios, literalmente!

Vim falar de atitudes. Quem convive comigo sabe me decifrar só no olhar.

Se eu estou bem, é nítido. Se eu estou preocupada também. E se eu estou incomodada com algo? Oxi, trans -pa – ren – te!

Muitos falam que eu sou muito brava. Não vou negar. Mas vai além disso. Não sei sorrir quando o mundo está caindo. Odeio… veja bem… O D E I O falsidade. Gosto de ser um texto fácil. E gosto ainda mais de pessoas capazes de ler as entrelinhas.

Eu sou assim. E se isso fosse ruim, eu não teria ninguém ao meu lado. Óbvio que tudo tem limite. Óbvio que com o tempo eu fui aprendendo a ficar quieta e a pesar minhas palavras. Mas o olhar… o comportamento… eu não consigo.

E sabe o que é pior? Meu estado interfere no ambiente. Quando eu estou bem, eu contagio quem está por perto. O arco íris se forma e o pote de ouro espalha sorrisos. É lindo de se ver! Agora, quando eu estou pra baixo, o silêncio reina. E quando eu estou brava/nervosa? Bom, aí o tempo fecha e a nuvem se enche. Eu podia até mandar um: abra o guarda-chuva, meu bem; mas o melhor conselho é: saia de perto!!!

Acabei de ler no Facebook uma pessoa falando sobre pessoas que só falam de coisas boas, de seus predicatos. Desconfie. O mundo é cheio de pedras, falhas, problemas… dizem que a matemática está em tudo, né?! Hahahua

Eu sempre expus meu lado ruim. Eu sempre me queimei, na visão alheia. Eu sou assim.

Eu não sofro à toa. Eu não estou solteira à toa! Eu sou um ser humano imperfeito, cheio de defeiros. Um ser humano que se cobra muito e que acaba cobrando dos outros também.

Eu tenho uma história por trás do meu comportamento. Eu já sofri muitas perdas, eu passo diariamente por dilemas familiares e profissionais, eu já fui trocada “n” vezes por grandes paixões da vida.

Não é à toa que eu me apego aos meus familiares. Nao é à toa que eu choro até com comercial de margarina. Não é à toa que eu não saio com qualquer um, ou, em outras palavras, sou muito exigente.

Eu me entrego em tudo o que faço. Em casa, no trabalho, na religião, nos estudos, no voluntariado. Eu, que sempre me tachei superficial, me jogo, mergulho e afundo. Eu quase morro afogada, mas recupero o consciente e volto à superfície. E por mais que o medo me assole, eu não desisto.

Essa sou eu. A menina-mulher brava. A menina guerreira. A menina “bombril”. A menina que fala com os olhos, que sofre calada, que desabafa em caracteres.

Já dizia meu Guia: se você fosse perfeita, estaria em outro lugar, aprendendo outras coisas. Não se cobre tanto. Viva um dia por vez! O conselho foi pra mim, mas serve pra você também.

Quer saber… eu não sou branca, eu sou transparente. Sou um vidro fácil de se quebrar. Já preparou a primeira pedra?!