Eu ia mal em redação

Talvez vocês não saibam, mas eu sempre fui bastante estudiosa. E por mais que eu me esforçasse, eu tive lá minhas notas vermelhas no colégio. Inclusive, em redação!

Quem foi aluna da Tia Dani – capa da Capricho/corretora de redações da Unicamp – sabe bem como era a pressão.

Eu sempre escutava a mesma frase: seus textos parecem colchas de retalho. Será que eram colchas bonitas? Floridas? Com cores vivas?

O fato é que eu nunca soube dissertar. Escrevia, escrevia e ganhava 4,5, às vezes um 5, mas não chegava na bendita média.

Massss, tia Dani era boazinha e no bimestre seguinte me pedia uma narração, pra eu deixar meu boletim azul. Aí era lindo. Textão cheio de referências, doideiras, sentimentos. AMAVA! E continuo amando.

Viajava na maionese com gosto. Tanto gosto que chamei a atenção do prof. De Física.

Não, você não leu errado. Pensa na colcha de retalhos. Um assunto puxa o outro. E o meu texto puxou o Betão, que era o melhor professor de Física, líder do projeto de 50 anos do colégio – sobre espelhos.

Eu ia bem na matéria dele. SIM, eu ia bem em física, meus amigos, e mal em redação. VEJA BEM! Enfim, Betão gostava de mim. Soube que eu gostava de escrever e participava de tudo do colégio. Betão me convocou.

Da física só o reflexo, os espelhos. Da redação, o meu depoimento.

Criei um texto. Decorei por 3 dias. Na onde? Na frente do espelho. Gesticulei, falei, errei, falei de novo. Fui.

Antes de mim, muitos colegas leram seus textos, jograis e o caralh# a quatro. Chegou minha vez. Subi no palco. Não li. Interpretei. Um texto meu. Uma narração, claro. Era sobre minha história com o Imaculada. Minha história e de muitos que estavam ali na plateia. 14 anos, no mesmo colégio. Haja história.

Enquanto falava, pausava, voltava a falar… olhava para todos os lados. Fazia aula de teatro na época.

Apesar de curtir sertanejo, naquele momento eu SAMBEI.

Todos ficaram de pé. Todos batendo palmas. Tia Dani foi atrás de mim e de minha mãe: “Ela precisa fazer jornalismo”.

Por que mesmo que eu os escutei? Passei em 3 faculdades de FARMÁCIA. Além da física, eu ia bem em química também <3. E fui parar em jornalismo. Eu, que não curtia ler, não sabia dissertar, não conhecia um só jornalista, não tinha noção do que era Bossa Nova e… eu!

Lá fui eu.

4 anos de muita gratidão. Hoje, eu acho que sei dissertar – apesar de não gostar -, conheço alguns jornalistas, li MUITOS livros, passei a curtir Gal Costa e… nunca trabalhei com jornalismo.

A vida é assim, né migos…

Amo escrever, mas amo mais viajar na maionese. Amo mais internet. Amo mais criar.

É… eis aqui uma jornalista por formação e uma publicitária por paixão. Notas vermelhas? Que cheiro tem? Qual a embalagem? Vai vender onde? Vamos conversar sobre…

Eu não sou branca, sou transparente

Minha mãe conta que meu pai teve um teretetê com uma moça muuuuuito branquinha, com apelido de “litrinho de leite”. Pra pagar os seus pecados, eis que nasci eu, quase engessada hahaha

Mas não vim falar sobre isso. Pra variar, saio do foco pra chegar onde eu realmente quero. Adoro rodeios, literalmente!

Vim falar de atitudes. Quem convive comigo sabe me decifrar só no olhar.

Se eu estou bem, é nítido. Se eu estou preocupada também. E se eu estou incomodada com algo? Oxi, trans -pa – ren – te!

Muitos falam que eu sou muito brava. Não vou negar. Mas vai além disso. Não sei sorrir quando o mundo está caindo. Odeio… veja bem… O D E I O falsidade. Gosto de ser um texto fácil. E gosto ainda mais de pessoas capazes de ler as entrelinhas.

Eu sou assim. E se isso fosse ruim, eu não teria ninguém ao meu lado. Óbvio que tudo tem limite. Óbvio que com o tempo eu fui aprendendo a ficar quieta e a pesar minhas palavras. Mas o olhar… o comportamento… eu não consigo.

E sabe o que é pior? Meu estado interfere no ambiente. Quando eu estou bem, eu contagio quem está por perto. O arco íris se forma e o pote de ouro espalha sorrisos. É lindo de se ver! Agora, quando eu estou pra baixo, o silêncio reina. E quando eu estou brava/nervosa? Bom, aí o tempo fecha e a nuvem se enche. Eu podia até mandar um: abra o guarda-chuva, meu bem; mas o melhor conselho é: saia de perto!!!

Acabei de ler no Facebook uma pessoa falando sobre pessoas que só falam de coisas boas, de seus predicatos. Desconfie. O mundo é cheio de pedras, falhas, problemas… dizem que a matemática está em tudo, né?! Hahahua

Eu sempre expus meu lado ruim. Eu sempre me queimei, na visão alheia. Eu sou assim.

Eu não sofro à toa. Eu não estou solteira à toa! Eu sou um ser humano imperfeito, cheio de defeiros. Um ser humano que se cobra muito e que acaba cobrando dos outros também.

Eu tenho uma história por trás do meu comportamento. Eu já sofri muitas perdas, eu passo diariamente por dilemas familiares e profissionais, eu já fui trocada “n” vezes por grandes paixões da vida.

Não é à toa que eu me apego aos meus familiares. Nao é à toa que eu choro até com comercial de margarina. Não é à toa que eu não saio com qualquer um, ou, em outras palavras, sou muito exigente.

Eu me entrego em tudo o que faço. Em casa, no trabalho, na religião, nos estudos, no voluntariado. Eu, que sempre me tachei superficial, me jogo, mergulho e afundo. Eu quase morro afogada, mas recupero o consciente e volto à superfície. E por mais que o medo me assole, eu não desisto.

Essa sou eu. A menina-mulher brava. A menina guerreira. A menina “bombril”. A menina que fala com os olhos, que sofre calada, que desabafa em caracteres.

Já dizia meu Guia: se você fosse perfeita, estaria em outro lugar, aprendendo outras coisas. Não se cobre tanto. Viva um dia por vez! O conselho foi pra mim, mas serve pra você também.

Quer saber… eu não sou branca, eu sou transparente. Sou um vidro fácil de se quebrar. Já preparou a primeira pedra?!

Essa noite eu sonhei com você!

Quem me conhece sabe a coleção de paixonites agudas que eu já tive. Um não tinha nada a ver com o outro, mas marcaram. E teve um, sempre esse um, que me vem em mente de tempos em tempos.

A gente não teve uma linda história de amor. Sei lá o que a gente teve. Mas teve. No passado. E ficou por lá. Infelizmente.

A vida deu seus giros mágicos e a tecnologia o trouxe de volta. Tentei, por várias vezes, descobrir algo sobre ele. Ver fotos… A gente quer saber se mudou, o quanto mudou…

Tentativas em vão. Até que um certo dia, esse querido rapaz me adicionou no Facebook. E o que eu tanto queria ver, eu não vi. Nem todo mundo se expõe nas redes sociais.

Mas, por outro lado, vi coisas que eu não esperava. Ele havia formado uma família. Casou, teve uma menina linda. PARABÉNS! Juro que não é falso.

E aquela vontade de revê-lo? Devia ter passado, mas não passou.

Essa noite eu sonhei com ele. E foi maravilhoso. Eu não tenho a mínima ideia de onde eu estava, mas o cenário era lindo. E no telefone, eu marcava um encontro com ele.

- Ok, você venceu. Vamos nos ver, quero conversar com você. Ele disse. E eu fiquei eufórica, porque eu queria muito revê-lo.

Eu mudei de sonho antes do reencontro, mas acordei toda feliz… desejando que algum dia isso aconteça de verdade. Não quero estragar famílias, juro. Eu quero apenas ver… ver alguém do meu passado, que me fez tão bem e tão mal ao mesmo tempo.

Quero ver minha grande paixão. Ouvir sua voz. Só isso. Sem toques, sem nada. Como bons e velhos amigos. Eu sou adepta do “vaso quebrado não cola mais”.

Por que será que as pessoas marcam, hein?

Justo ele, que eu conheci numa festa nada a ver. Justo ele que vivia esfregando beijos em outras na minha cara. Ele, sempre ele. Que vivia estudando, que não gostava de nada que eu gostava… que vivia falando mal da minha rotina.

Ele… com seu jeito xucro… o melhor beijo que eu já tive. Que saco.

Eu não lembro o que eu fiz pra que ele me odiasse tanto. Eu juro. Dizem que quem fala/faz algo de ruim pras pessoas, esquece, mas quem escuta/ passa pela situação, não. E ele nunca me contou. Sempre me evitou. Como o diabo corre da cruz. Até quem um dia, ele resolveu ceder.

Hoje, ele está a muitos km do Brasil. Muitos mesmo. Está bem profissionalmente. Acredito que sem previsão de volta. Ele, a família dele, a profissão dele. Valeu ter estudado tanto.

Que sonho. Que desejo. Que paixão. Será que eu nunca vou superar? Minha expectativa era revê-lo e apagar de vez essa história louca de conto de fadas. Era ter a certeza de que tudo ficou no passado mesmo, que nunca daria certo… Mas ele nunca me deu essa chance. Talvez seja bom ter alguém que de vez enquando se lembra da gente. Talvez…

Eu, hoje, sonhei com você. Espero que esteja tudo bem!

 

A culpa é minha?

Sabe aquele lance de “a culpa é minha eu ponho em quem eu quiser?”

Então, as pessoas têm levado muito a sério. Calma aí meu povo, isso é uma brincadeirinha. Será que vocês não entenderam?!

CULPA. Essa é a palavra da semana. Talvez do mês.

Uma dúvida: a culpa que os outros colocam em mim é minha mesmo?

Se algo é esquecido… a culpa é minha.

Se um nome é trocado… a culpa é… minha.

Se uma pessoa não gosta de mim… culpa total minha.

Se algo está fora do lugar… a culpa é minha, claro.

Se eu estou solteira… culpa minha. É, essa acho que é mesmo (risos).

Sério. Tenho vontade de fugir. Sair correndo. Sumir (eu gosto de sinônimos).

De fazer a louca… gritar. Por um fim nisso. Mas não. Guardo pra mim. Quer dizer…

As pessoas não têm a mínima noção de quão prejudiciais são suas palavras, seus julgamentos…

Eu estou cansada.

Cansada de ser culpada de tudo… de me sentir a pior pessoa do mundo. De achar que eu estou errada por algo que eu não fiz.

Eu não tenho que me lembrar das obrigações dos outros.

Eu não tenho obrigação de saber se as informações que chegam até mim são verdadeiras.

Eu não tenho que agradar a todos. Principalmente pessoas que mal me conhecem e já me rotulam por conta do que escutam. Cuidado com as fontes!

Eu não tenho que por tudo no seu devido lugar.

E, definitivamente, eu não tenho que ter alguém só porque os outros cobram.

Faz sentido?

Já dizia John Green que “A culpa é das estrelas”. Se ele conhecesse as pessoas que convivem comigo, diria que a culpa é de quem? MINHA, claro.

Eu não mereço isso.  Eu juro.

Papai Noel é muito danado

Eu queria falar sobre Papai Noel. Sim, o bom velhinho, barbudo, que não se preocupa com o look de Natal. Todo ano ele usa a mesma roupa. E arrasa, diga-se de passagem.

Ele adora ler cartas. E quantas ele recebe, hein…

Na noite de Natal, passa “correndo” por diversas casas, entregando presentes às crianças que se comportaram bem durante o ano.

Não é assim?

Não me lembro até quantos anos deixei a magia do Natal invadir meus pensamentos. A única coisa que eu sei é que eu amo muito tudo isso. Obrigado, Coca. Por ter construído o Papai Noel e, também, por este slogan que combina com tudo.

Porém, como sempre faço, rodei, rodei e não cheguei no ponto que queria.

Desde ontem, estou refletindo sobre o assunto. Como as coisas mudaram…

Se por um lado eu fico em choque ao ver minha priminha de 9 anos acreditando piamente na chegada do Papai Noel, fico muito feliz que este espírito esteja cada dia mais próximo da sua realidade.

2016 foi um ano difícil, nomeado o “ano da crise”. Foi difícil mesmo. Foi um ano para repensar. E quer data melhor pra isso do que o Natal?

Vi muitas pessoas falando que neste ano não ia ter presente. Malemá o velho e divertido amigo secreto. E olha, foi bem isso mesmo. Cada vez menos vejo troca de presentes. E isso é MARAVILHOSO.

Sabe aquela crença de que o melhor presente a ser dado é no Natal? Então, carreguei comigo por muitos anos. E digo mais, não estava sozinha.

Mas a crise ajudou. Vi neste Natal muito menos presente e mais presença. Mais olhar nos olhos, mais abraços, carinhos. Vi palavras de afeto… Escutei até um “eu tenho orgulho de você”. <3

Estamos entendendo o significado da data, gente. Natal é família, é encontro, é amor, é confraternização. É um momento que a gente se reúne, reza, dá risada, passa junto. É aquele encontro que a gente desmarcou o ano inteiro, por não conseguir bater as agendas.

Estou muito feliz.

E mais feliz ainda pela simplicidade dos presentes pedidos.

Lá em casa, as crianças desistiram, de última hora, de pedir presentes ao Papai Noel. “Má, eu ia pedir uma pulseira, mas aí a vó deu a pulseira pra gente. Aí não tinha o que pedir!”

Gente, na minha época eu queria o presente mais caro de todos. Era patins, bicicleta, bonecas… E ela só queria uma pulseira!

Aí, veio a outra: “Eu tinha pedido um brinquedo, mas desisti. Achei que ele não ia trazer nada, mas ele trouxe um batom da cor que eu queria”.

Neste momento, eu segurei o choro. E a única coisa que eu consegui dizer foi: “Que Papai Noel danado, né? Acertou em cheio!”

Como todo ano, me candidatei à ajudante do bom velhinho. Fiz a listinha das crianças e fiquei pensando o que poderia dar a elas. Algo simples, mas que elas gostassem. São 4 pequenas e 1 pequeno. A Isa já tá grandona.

Comprei batom e perfume pras meninas. A cor foi “na sorte”.  Uma delas não desgrudou do batom por nada. Retocava e beijava as pessoas, pra deixar sua marquinha. Uma outra, chegou pra mim e disse que era a cor que ela queria! Gente, e vocês ainda não acreditam em Papai Noel?

Eu acredito. Acredito na magia, na pureza, na presença. Eu acredito numa noite de união, de paz e amor. Eu acredito que estamos no caminho certo!

Que a cada ano, o Natal possa mais ser vivido do que presenteado. E se for presenteado, que seja simples e personalizado. Nada melhor do que receber algo que você esteja precisando ou que tem a sua cara.

Esse foi meu pedido ao bom Velhinho. E o seu? O Natal de 2017 promete.

Um sonho tão real…

Vou começar este texto com uma confissão: sou a louca dos sonhos. Sério, lembro de quase todos. E o pior, são tudo nada a ver. Tem dias que eu acordo rindo. Haja imaginação, conflitos pessoais… sei lá o que influencia esses mini filmes noturnos. Haja.

Hoje foi uma noite daquelas. Um atrás do outro. Vim compartilhar o último. Foi tão real. Acordei meio chateada. Vamos aos fatos.

Já sonhou com alguém com quem você só trocou meia dúzia de palavras? Eu já. Mais, já sonhou que tinha algo com essa pessoa? Vou deixar você pensar um pouco.

Meu sonho pulou de um pro outro. No anterior, eu havia sofrido assédio – a pessoa não fez nada, mas tentou me puxar… Estava me sentindo suja. Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fui fazer: banho. Mas não era minha casa, era um sítio, uma fazenda, sei lá. O banheiro era quase um estábulo. Escuro, mas estava ótimo.

Quando terminava a ducha, chegou minha mãe e o dito cujo das seis palavras. Ele era meu namorado, no sonho. Me deu um abraço não muito afável.

Falei alguma coisa – porque eu gosto pouco de falar – e fui me trocar. Mudou de cena.

Estava num sofá, dentro da minha possível casa. O namorado no celular, cagando pra mim. Eu havia chegado de viagem, só queria colo. Enfim…

Fui pro quintal, onde estava rolando alguma festa. Lá encontrei um amigo – que eu adoraria conhecer na vida real hahaha barbudinho, lindo -, mas que ficou dentro do sonho. Que droga.

Conversamos, rimos, bebemos… fizemos o que o outro se recusava a fazer em minha companhia. O celular estava mais interessante.

Depois de um tempo,  resolvemos ir pra dentro da casa. Adivinha? Namorado viu. Namorado não gostou. Namorado disse adeus. Namorado tinha culpa no cartório.

Não teve briga. Mas teve choro. Teve confissão de traição. Teve cesta de sei lá o que com um cartão de desculpas. Não teve volta.

O amigo, depois de um bom tempo tentando me consolar, se tornou a bola da vez.

Que loucura. Que real. Acordei meio assim “que será que isso quer dizer?”

Pensei, pensei, não muito, mas pensei. Cheguei à conclusão. Mamãe já dizia: “esse não, Mariane, ele vive rodeado de mulher”. A vida já dizia: “esse não, Mariane, ele vive na gandaia.” O sonho já dizia: “Mariane, você entendeu? Ele não. O amigo. Aquele que está do seu lado, te ouvindo. Que te conhece, que te faz sorrir”.

Mariane pensou, pensou e não reconheceu nenhum amigo com esse potencial. Mariane ficou triste. Perdeu o peão, perdeu o amigo, perdeu o sono. Será que dá pra continuar hoje? Talvez o Google possa me ajudar: http://bit.ly/2h6oMv0

Eu gosto do barulho do salto

Quem me conhece há algum tempo deve ter notado a ausência de decotes em minhas roupas. Ok, tenho certeza que ninguém notou, mas eu notei. Certa vez queria por algo mais “sexy” pra ir a um barzinho e tcharã… não tinha! Tudo fechado. Apenas os ombros de fora – AMO.

Quando mais nova, mais mirrada, tinha de todos os tipos. Achava lindo. Hoje, me sinto horrorosamente horrorosa. Não curto. E isso só tende a piorar, acho.

Vamos aos fatos.

Meses atrás comprei uma blusinha com franjas, mas não sabia que a bendita me fazia voltar aos tempos antigos, decotados. Que sensação horrível.

Ok, há quem diga que fica bonito, feminino, que bla bla bla. Fica tudo isso quando você se olha no espelho, você se admira. E não quando você anda pela rua!

Fui almoçar em uma padaria próxima ao meu trabalho. Pra variar, não tinha vaga pro carro. Precisei colocar num estacionamento. Isso inclui andar um pouco e passar em frente a um ponto de Táxi cheio de homens.

Adivinha? Todos mudos, olhando, virando pra trás, pra frente, pra minha direção. Quando vê, escuto um “eu gosto do barulho do salto”, comprovando que eu tinha virado o assunto do momento. Que nojento!

Entrei no mall e mais homens olhando. Me senti um pedaço de carne. Me senti nojenta. Sério. O decote não vai até o umbigo – bem longe disso – , mas foi o suficiente pra me deixar mal.

Gente, como pode? Eu sempre me ausentei das polêmicas de assédio. Muitas vezes, confesso, achei que os depoimentos eram exagerados. E pensava: é por que eu não passei por nada disso. E tinha razão. Quando você passa…

Não foi nada absurdo. Não fui perseguida. Não fui agarrada. Não fui estuprada. Mas me senti molestada. Nem almocei direito. Juro.

Eu não me senti bonita, desejada, a última bolachinha do pacote. Me senti suja. Me senti horrível. Fiquei mal.

Eu não gosto do barulho do salto. Eu não gosto de olhares famintos. Eu não gosto de assédio. Homens, apenas parem.

PS: Me sentiria péssima do mesmo jeito se a cena acontecesse em outro ambiente, como um bar ou balada. Acho ridículo este tipo de atitude. Anota. R-I-D-Í-C-U-L-O.

Você abre o vidro?

Eu sempre falo para os voluntários do Entrega por Campinas: você vai ver como suas atitudes mudarão depois de hoje. E como mudam…

Antigamente, quando parava em um semáforo, fechava correndo o vidro. Nunca fui de dar dinheiro e como podem perceber, nem atenção. Não era maldade, era medo, sei lá o que era. Passou.

Hoje, quando vejo que o sinal está fechando, eu abro o vidro. Continuo não dando dinheiro, mas hoje dou atenção. Converso, pergunto o nome e dou água – sempre ando com garrafinhas no carro. #ficadica

E vocês não sabem como isso faz a diferença não só na minha vida como na das pessoas que ficam nos sinaleiros (lembrei da minha vó agora).

Ontem era segunda-feira, dia de reunião do Entrega. Como estava muito perto do local da reunião, tive que dar aquela enrolada. Fui no Mc Donalds. Por que não um milkshake?

Antes do Mc tem um semáforo que fecha super rápido. Era o primeiro carro. Do nada, apareceu um moço, gesticulando um pedido de dinheiro. Eu disse que não tinha e fui abrindo o vidro. Peguei a garrafinha de água e disse que estava quente. Perguntei se mesmo assim ele queria. Ele pegou a garrafa e começou a falar:

- Moça, só de você não ter me ignorado, ter aberto o vidro, eu já estou feliz. Muito obrigado.

Pensa numa pessoa que na hora queria cair nos prantos – sou dessas. Perguntei seu nome: Everton. E logo em seguida comentei sobre um rapaz que ficava ali naquele local. Ele se confundiu, riu e disse que amanhã não estaria por ali. Seria internado.

O semáforo que era rápido, durou o tempo certo pra eu ganhar minha noite. Comentei que ia dar a volta e voltava pra gente conversar. Entrei no Mc, comprei meu milk-shake e pensei: por que não comprar um lanche pro Everton? Ai eu sento ali com ele e enquanto ele come, a gente conversa.

Demorei muito. Comprei o lanche, desci e cadê o meu mais novo amigo? Havia saído do semáforo. Quando olho pro lado, um outro moço vinha na minha direção: Moça, me dá um lanche?!

Eu não tinha comprado aquele lanche pra ele, mas naquele momento era ele que precisava ser alimentado!  Vai ver estava há dias sem comer ou talvez com muita vontade de um lanche (já passou pelo MC quando você está com fome? Aquele cheiro mata! Dá muito mais fome, vontade…). E assim foi.

Que noite. Que lição. Que linha torta com histórias certas. E aí, você abre o vidro?

Observação: Fiz este post para mostrar como a gente muda quando se entrega a um projeto social. Ele não é uma medalhinha de ouro por fazer o bem. Quem faz o bem, não precisa ficar expondo seu feito. Esse é apenas um depoimento, que no seu modo mais pretensioso, pretende servir como inspiração. Abra o vidro, converse, doe atenção. Muitas vezes, vale mais que qualquer dinheiro!

O curioso sofre

“Como será que está fulaninho(a)?” Quem nunca acessou o perfil alheio que atire o primeiro like.

A gente é assim, curioso por natureza. E sempre há de ter uma listinha de pessoas que despertam esse nosso instinto de detetive. Algum antigo colega de colégio ou de faculdade, um ex-crush, um vizinho, um parente distante, a atual de alguém, um amigo que seja. A gente stalkeia mesmo.

O duro é quando a gente quer saber de alguém que… por alguns, quase sempre, péssimos motivos, não está no nosso convívio mais. Sim, digo aquelas pessoas que a gente bloqueou na vida, nas redes sociais, no telefone.

Ai gente, dá vontade de saber como estão as coisas. Se casou, teve filhos, se largou, se está viajando, se está suando muito. “Mas que dá vontade dá, de jogar tudo pro ar….” Guilherme e Santiago é vida. Ponto.

Bom, e aí vem o título à tona. O curioso sofre. Sofre porque busca informação e encontra o que espera, mas não quer. Sofre porque vê que a pessoa está mega bem. Sofre porque sofre.

Sempre fui dessas. Mas olha, vou te contar, ando tendo um auto-controle elogiável. “Por que mesmo que você vai fazer isso?” Sempre ecoa no meu pensamento.

Meu anjo da guarda está trabalhando intensamente. Enquanto meu ID diz “vai lá, desbloqueia, busca informação mesmo, uhul, aja, agora, now, everybody”, meu superego aconselha “não faça isso. por que você quer fazer isso? não influencia na sua vida. Você está bem. Pode parar. Fecha isso aí”. Nãooooooooooooooooooooooo. Sim. Eu obedeço.

Não foi a primeira e nem a última. E, com certeza, não foi nos meus melhores dias. A gente curte sofrer. Sofrer muito. Potencializar o sofrimento. Mas hoje, só por hoje, eu virei a cadeira pro superego. Obrigada, amigão, #tamojunto. Aqui não tem essa de “Solta o Mantega”. Prendeu, tá preso. TU TU TU.

Mar? Acho que eu vou é pro bar!

Eu sempre amei água. Desde cedo estava acostumada a dar umas braçadas nas piscinas alheias. Quantas competições, medalhas…

Não tinha medo. Até certo dia, no sítio, a gente brincar de passar debaixo da perna dos outros na piscina. Meu primo, muito engraçado, me prendeu debaixo da água. Quase me afoguei. Fiquei traumatizada. Sério.

Mas como a nossa memória falha, eu acabei esquecendo disso. Nadei em piscina, em mar… acho que em rio nunca. Nem represa. Só piscina, mar e… cachoeira. Como poderia esquecer.

Tudo raso. Tudo sob controle. Tudo tudo, até eu quase morrer afogada neste carnaval. Não contei aqui, ninguém precisava saber. Não naquele momento.

Em fevereiro, decidi trocar Muzambinho por Maresias. Mais calmo, pessoas mais velhas. Achava que tinha feito um super negócio. A-HAM.

As pessoas eram gente boníssimas. A casa? Boa, vai. E os borrachudos? Uns fanfarrões. Minhas pernas ficaram bizarramente vermelhas, com bolotas enormes. Pra ajudar, tive diarreia. Perdi 1kg em pleno carnaval. Também, só no Gatorade e biscoito de polvilho! Cerveja só no primeiro dia. Que karma.

Mas isso tudo é contexto. Chegamos cedo na cidade. Resolvemos, então, almoçar e ir pra praia. Cerveja a rodo. Dá vontade de que? Sim, xixi. Hora de ir pro mar. De leve. Com boné e óculos. Uma ondinha, duas…

Quando eu vi, estava no fundo do mar, sozinha. Meus amigos falando pra eu voltar. Ah, se fosse fácil. Não conseguia. Simplesmente não conseguia. Uma onda atrás da outra. Enormes. Eu nadava, nadava e não saía do lugar. Não dava pé. IMAGINA O DESESPERO.

Em uma das ondas, meu boné saiu. Tinha acabado de comprar. Corri atrás. Na outra, meu óculos. Esse, não consegui segurar. Tudo bem, ele era caro, mas isso a gente conquista de novo.

Com muito sufoco e proteção, consegui voltar à beira da praia. Chocada, sem ar, sem óculos, sem entender nada…

Na minha cabeça só vinha: como vão avisar minha família que eu morri afogada? Vou acabar com o carnaval da galera… Eles não têm o telefone da minha casa… Meu deus, minha mãe vai me matar quando eu disser que perdi o óculos…

Passou. E aí eu fui picada, eu tive diarreia. Isso vocês já leram ali em cima.

Quando voltei pra Campinas, fui ao terreiro (sim, sou umbandista com muito orgulho). Vontei tudo isso ao meu guia. Ele foi bem direto: você foi pra praia, pediu licença pra Iemanjá? Rezou?

Não, eu não tinha feito nada disso. Confesso, nem lembrei. Tava no clima de folia. Queria pegar uma cor, beber e me divertir com a turma que estava comigo. Que falta de juízo.

Bom, agora, cá estou eu, com medo de água. Nunca mais fui pra praia. Só de pensar em água, me dá um sentimento ruim. Tipo o que eu senti com a história do ator. Que pavor.

Será que em alguma vida eu morri afogada?

Piscina, ok. Cachoeira, ok. Mar? Acho que eu vou é pro bar! Minas Gerais, que saudades de você!