Ele

Faz 20 minutos que eu estou parada, olhando para o editor de texto. Escrever ou não escrever? O que falar? Não é me expor demais? Me precipitar? Se não estivesse cheia de interrogações na cabeça, não seria eu.

O fato é que há alguns meses, eu conheci Ele. Ele que eu coloco em maiúsculo, mas está longe de ser deus. É ser humano como você que lê este blog. Ele. Quase a mesma idade que a minha. Não muito alto. Olhos claros e um sorriso encantador.

Eu digo que o conheci em um lugar, ele diz que foi em outro. A versão dele é mais a minha cara. Internet, claro.

Nos vimos poucas vezes, mas fez um estraguinho bom. Talvez porque eu estivesse num momento ruim, aberta pra quaisquer meia dúzia de palavras legais e gentilezas. Não, não estou o desmerecendo, apenas explicando porque depois de tanto tempo, Ele, que nem foi muito presente, entrou pra galeria dos mocinhos que me marcaram.

Foram meses trocando mensagens. A cada luzinha amarela do celular, um sorriso estampado no rosto. E quando a mensagem vinha com um convite? Parecia ter visto um bando inteiro – passarinhos verdes, azuis, roxos, vermelhos… Os problemas desapareciam na hora. Era muito bom, confesso.

Masssssssssssssssssssssssssss, como eu não sei me relacionar e fico reparando muito nas pessoas, talvez procurando algum motivo pra eu me afastar – sou dessas -, eu encontrei um motivo que me deixou mal. Tinha outra na parada. E a briga seria desleal.

Alguns vão pensar: mas você, que é toda forte, confiante, negou a raça? Sim, eu neguei. Pulei fora. Competir não faz meu tipo. O obstáculo era grande e eu não venceria apenas com minha meiguice momentânea.

Eu fui guardando aquela desconfiança comigo, até que não aguentei e num momento de impulsividade, eu terminei o que não havia nem começado. Falei o que eu estava sentindo. Sem rodeios. Pá pum. Daquele meu jeitinho peculiar.

Óbvio, ele não curtiu. Quem era eu, naquela altura do campeonato, pra julgá-lo? Pra definir verdades em sua vida? Eu nem o conhecia direito…

Bom, ele não desmentiu nada do que eu disse, apenas se adiantou a me chamar de louca, de uma forma sutil. Porque a única pessoa que não sabe o que é sutileza sou eu!

Eu demorei pra ler o que ele havia me escrito, mas li. Assim como as minhas palavras não haviam o agradado, as dele não haviam sanado minhas dúvidas. Palavras… às vezes não significam nada, apenas letras de mãos dadas!

Continuei com dúvidas, me sentindo a pior pessoa do mundo, e agora sem suas mensagens. Sem vê-lo. Aliás, encontros tivemos poucos e talvez essa tenha sido a chave do negócio.

A dúvida é cruel. A certeza machuca, mas ela põe ponto final. A dúvida não. Ela machuca. Ela dá esperanças. Ela faz surgir novos sentimentos. Ela… tem alguém que gosta de dúvidas?!

Eu não sei se ele curte a outra. Se ouviu meus conselhos e foi atrás dela. A única certeza que eu tenho é que eu jamais conseguiria estar no mesmo ambiente que os dois. Eu imagino os olhares – porque eu acho que recíproco -, eu imagino as mensagens privadas, eu imagino… Na verdade, eu imaginava. Consegui virar essa página. Mas não apela. Não sei se na prática seria tão  desprendida assim.

Ele. Chegou de fininho. E não sumiu. Continua me cozinhando na dúvida. Continua aparecendo quando dá na telha. Continua me fazendo sorrir com suas mensagens. Continua jogando na minha cara o que eu perdi sendo eu!

Eu devo mesmo ser louca. Daquelas que termina o que nem começou, que quer tudo pra ontem, que é dona da verdade, que é mulher, e tem intuição… Não coloco minha mão no fogo. E não quero mais pensar nisso. Chega, né?!

Se tivesse que dar certo, já teria dado. E eu teria sido feliz. Eu gosto de você, da sua companhia. Eu gosto do seu sorriso, do seu olhar, eu gosto até do seu jeito perdido de não saber o que fazer, do seu jeito de falar e lembrar das coisas.

Eu gosto da lembrança. Ela é minha e ninguém tira. Obrigada por fazer parte do meu passado. Você é a lembrança boa do ano que se foi! Fique bem e cuide bem dela, mesmo que ela não seja quem eu imaginei!

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