Mar? Acho que eu vou é pro bar!

Eu sempre amei água. Desde cedo estava acostumada a dar umas braçadas nas piscinas alheias. Quantas competições, medalhas…

Não tinha medo. Até certo dia, no sítio, a gente brincar de passar debaixo da perna dos outros na piscina. Meu primo, muito engraçado, me prendeu debaixo da água. Quase me afoguei. Fiquei traumatizada. Sério.

Mas como a nossa memória falha, eu acabei esquecendo disso. Nadei em piscina, em mar… acho que em rio nunca. Nem represa. Só piscina, mar e… cachoeira. Como poderia esquecer.

Tudo raso. Tudo sob controle. Tudo tudo, até eu quase morrer afogada neste carnaval. Não contei aqui, ninguém precisava saber. Não naquele momento.

Em fevereiro, decidi trocar Muzambinho por Maresias. Mais calmo, pessoas mais velhas. Achava que tinha feito um super negócio. A-HAM.

As pessoas eram gente boníssimas. A casa? Boa, vai. E os borrachudos? Uns fanfarrões. Minhas pernas ficaram bizarramente vermelhas, com bolotas enormes. Pra ajudar, tive diarreia. Perdi 1kg em pleno carnaval. Também, só no Gatorade e biscoito de polvilho! Cerveja só no primeiro dia. Que karma.

Mas isso tudo é contexto. Chegamos cedo na cidade. Resolvemos, então, almoçar e ir pra praia. Cerveja a rodo. Dá vontade de que? Sim, xixi. Hora de ir pro mar. De leve. Com boné e óculos. Uma ondinha, duas…

Quando eu vi, estava no fundo do mar, sozinha. Meus amigos falando pra eu voltar. Ah, se fosse fácil. Não conseguia. Simplesmente não conseguia. Uma onda atrás da outra. Enormes. Eu nadava, nadava e não saía do lugar. Não dava pé. IMAGINA O DESESPERO.

Em uma das ondas, meu boné saiu. Tinha acabado de comprar. Corri atrás. Na outra, meu óculos. Esse, não consegui segurar. Tudo bem, ele era caro, mas isso a gente conquista de novo.

Com muito sufoco e proteção, consegui voltar à beira da praia. Chocada, sem ar, sem óculos, sem entender nada…

Na minha cabeça só vinha: como vão avisar minha família que eu morri afogada? Vou acabar com o carnaval da galera… Eles não têm o telefone da minha casa… Meu deus, minha mãe vai me matar quando eu disser que perdi o óculos…

Passou. E aí eu fui picada, eu tive diarreia. Isso vocês já leram ali em cima.

Quando voltei pra Campinas, fui ao terreiro (sim, sou umbandista com muito orgulho). Vontei tudo isso ao meu guia. Ele foi bem direto: você foi pra praia, pediu licença pra Iemanjá? Rezou?

Não, eu não tinha feito nada disso. Confesso, nem lembrei. Tava no clima de folia. Queria pegar uma cor, beber e me divertir com a turma que estava comigo. Que falta de juízo.

Bom, agora, cá estou eu, com medo de água. Nunca mais fui pra praia. Só de pensar em água, me dá um sentimento ruim. Tipo o que eu senti com a história do ator. Que pavor.

Será que em alguma vida eu morri afogada?

Piscina, ok. Cachoeira, ok. Mar? Acho que eu vou é pro bar! Minas Gerais, que saudades de você!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>