Minha vida na outra vida

Minha vida na outra vida

Toda quarta-feira eu tenho um compromisso com minha fé. Entre tantos sorrisos, surpresas, choros, velas e banhos de defesa, um assunto mexeu muito comigo: a reencarnação.

Estava no hospital visitando um tio quando recebi uma mensagem: estou grávida. Na hora, uma prima, que estava comigo, disse: é o seu pai que vem. Oi?

Sei que ela não disse por mal. Ela apenas reproduziu a intuição que teve na hora. E eu não recebi a notícia como ela esperava. Fiquei muito mal. Chorei por semanas. Desconfiei da minha própria religião. Como assim, meu pai reencarnar na mesma vida?!

Não aceitava. A notícia se espalhou. Todos ficaram felizes, menos eu. Como eu falaria com meu pai? Como ele cuidaria de mim? Como ele seria, agora, meu primo? Não, não e não.

Fui ao centro descrente, chorosa. Tomei um sermão. Eu devia ficar feliz. Se meu pai estava reencarnando era para o seu próprio bem; ele havia pedido por isso. Mas como falar isso pro meu coração…de filha?!

Só me conformei quando desmentiram a tal reencarnação. “Seu pai vai voltar sim, mas não agora!”

Esqueci o assunto. Voltei a sorrir e acreditar na religião. Até que um dia, o assunto veio à tona de novo. E o choro foi involuntário. Um dia ele vem…

Vendo minha reação ao assunto, o guia indicou um filme: Minha vida na outra vida. Alguém já viu? Assisti hoje. Nem preciso dizer que estou 200g mais magra, de tanto chorar, né?

Lindo. Em poucas palavras, uma mulher começa a ter lembranças da sua vida anterior. Ela lembra de seu marido, seus filhos… e vai atrás deles. É sensacional.

Terminou e eu fiquei pensando. Será que um dia eu terei lembranças deste tipo? E se meu pai voltar, será que ele vai se lembrar de mim, do meu irmão, minha mãe? Como funcionam essas lembranças?

Acho que o intuito do filme era ilustrar o fenômeno; me acalmar. O efeito foi ao contrário. Me sinto cheia de dúvidas. As interrogações me perseguem. Como?

Como ele vai reagir ao me ver novamente? Como eu vou reagir o vendo em outra vida? Ele vai se lembrar de mim? Vai me abraçar com carinho? Vai lembrar de fatos? Detalhes? Vai me olhar nos olhos? Vai ser grudado a mim? Como vai ser?!

Enquanto isso não acontece, ficam as dúvidas. A certeza? Só de que o futuro a Deus e aos nossos pedidos pertence.

O que será que eu pedi lá em cima, né?

Saravá, meu pai!

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