O Inevitável jantar

Era 20 de dezembro de 2014. Última noite no resort em que fomos passar as férias. Como disseram que o restaurante “Inevitável” era o melhor, o deixamos para o último dia.  E lá fomos nós, mais arrumados e cheios de expectativas.

Chegamos lá e o clima não estava legal. Cada um que sentava, reclamava de algo. Eram as crianças dormindo, o garçon que não vinha… Eu, que carrego comigo Maria Desatadora dos Nós, apertei com bastante força o meu escapulário e pedi que todas as entidades ali presentes equilibrassem as nossas energias. Passamos uma semana inteira juntos, na paz, justo no último dia ia desandar? De maneira alguma.

Parecia milagre, juro. Do nada, todo aquele mau humor e as caras e bocas se tornaram as mais genuínas risadas. EU NUNCA RI TANTO. É sério.

Como diz meu irmão, etiqueta só na roupa. O restaurante era contemporâneo, com comidas francesas. Comecei a ler o cardápio, porque meu tio e minha mãe estavam sem óculos, e eles riam. “Eu não quero nada disso…” Escolhi por eles e boa sorte.

Chegaram as entradas. O pessoal perguntava qual prato era o da minha mãe, ela não sabia. “Não sei, uai, a Mariane que pediu pra mim…” Óbvio, ela não curtiu. Começaram a trocar os pratos. Veio tudo errado e o que veio, não os satisfez. Olhava nas outras mesas e todo mundo em silêncio, degustando os pratos. Na nossa mesa, só risada. Eu chorei de tanto rir.

Como o atendimento não estava dos melhores, meu tio resolveu puxar saco de um dos garçons. “Como você se chama?” O moço, pouco sorridente – o povo de Fortaleza tem preguiça de sorrir, não é possível -, respondeu: Thiago. Minha mãe: “Hugo?” Oie? Sério, parecia a Praça é Nossa.

Enquanto esperávamos o prato principal, que diga-se de passagem, demorou pacas, começamos a comentar histórias do passado. De repente, minha tia solta um “teve uma vez que eu fui pra Blumenau com eles, só tinha eu de mulher. Trocava de roupa atrás da cortina”. Minha mãe acho que viaja. Do nada “mas também porque você foi de camisola curtinha?” OIE?!!?!!?

Sério. Queria mais jantares como esses. Não me importo se a etiqueta passou longe. O importante é que a alegria passou bem perto e ficou! Foi um jantar memorável.

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