Os caras da minha vida

Muita calma nessa hora. Se você veio aqui pra saber se eu ia falar sobre você, citar seu nome ou coisa e tal… tão te chamando lá fora. Este texto não tem este intuito. Vim falar sobre OS caras da minha vida, dá licença!

O negócio é o seguinte. Quando uma mulher toma um pé na bunda, é traída pelos amigos,  perde o emprego, ou seja, vai parar no fundo do poço… ela se joga nas comédias românticas. Não interessa em qual caso eu me encaixe, ok? O importante é que eu segui a dica de uma amiga e assisti “Qual o seu número?”.

Não, eu não cheguei à média nacional americana (se você assistiu, vai entender. Caso contrário, que tal ler um release?), mas já me apaixonei pelo mesmo número de caras com quem a protagonista se deitou. Ah, a paixão…

E por que não deu certo com nenhum deles? Talvez imaturidade. Em todos os sentidos. Quem é geminiano sabe do que eu falo. Se você tem 5 opções, qual você escolhe? Todas. E sim, no final fica sem nenhuma delas. Triste. E foi isso que aconteceu comigo o tempo todo.

Mas, né, vamos mudar de assunto. O fato é que nestes meus quase 27 anos (jesus, tô idosa), eu já me apaixonei inúmeras vezes, já assisti dezenas de comédias românticas, sonhei com príncipes e idealizei relacionamentos… Pra? Me iludir, oras.

Minha primeira paixão (olha a confissão) foi um amigo de colégio. Na verdade, eu não me lembrava de ter gostado dele, mas encontrei uma foto com seu rosto circulado… com um coração. Oummm. Acho que até hoje ele não sabe. Não vou dar dicas… vai que…

Depois, veio a paixão extremamente platônica da vizinhança. Aquele vizinho que todo mundo queria. Eu? Como eu conseguiria ficar com ele? Eu, que nunca tinha beijado na vida… Eu, que ligava na casa dele toda hora só pra ver se ele estava em casa. Ah, e desligava na cara das irmãs… Nunca vi menino pra ter mais irmãs que ele. Cada hora era uma que atendia… E a hora da van? Ficava na janela esperando ele ir pro colégio. Que piegas. Ele se casou, tem filhos e deve estar feliz… e espero, barrigudo, feio e careca. Ai que dó, mentira!

O tempo passou e lá estava eu, novamente, envolvida em uma paixão ultra platônica. Campinas inteira (olha o exagero) curtia o cara. As meninas se jogavam. E ele ficava no seu canto. Tímido e chato que só ele. Vivia para implicar comigo, me xingar… Sabe o que eu lembro? Naquela época, ir aos domingos no shopping Galleria era febre. Eu ia todo final de semana. E, num desses passeios, o encontrei. A gente tinha um celular igual, dos tijolões da vida. E ele trocou o meu com o dele.. e guardou… OUMMMM.. que babaca! E quando eu fui pegar de volta, fiquei bem colada com ele… aquele coração palpitando… saindo pela boca… ele pedindo pra eu escutar… ele tremia! Será que era paixão? Casou e deve ser pai já! (…)

Bom, doeu, mas passou. Vieram os andradenses (tem um que mexe comigo até hoje e nem desconfia; o que desconfia está completamente louco – ou não!!!), o primeiro namorado, o segundo (antes que você me julgue, foram apenas 2… assumidos)… E mais paixão. Daquelas impossíveis, sempre. Ele lindo, famoso, com as meninas mais bonitas e novinhas da cidade. Eu, mais velha, com lentes de contato verdes, corpão em dia… É… ele não saía comigo em público. E se a namorada ou ficante ou sei lá o que visse? Passei meses chorando, idealizando encontros… ganhei um CD!

Nesta mesma época, um outro ser apareceu na minha vida. Vestido de mulher. Nada a ver comigo. Sistemático, nerd (naquela época eu  não curtia), ogro. E sim, eu também me apaixonei. Loucamente. Ligava toda hora, queria ver, brigava, xingava, ligava de novo. Era chifrada, na caruda, ligada de novo, xingava… Perdi contato. Último e-mail foi respondido com: Obrigado. Eu lembrei do aniversário dele.. mandei mensagem… tentei adicioná-lo no Facebook e wreal. Ele não gosta mais de mim. Não quer que eu saiba da vida dele. Será que ele se lembra de mim? Deve estar noivo!

Passou esse e mais alguns que eu não me recordo e a gente chega na atualidade. Eu paro por aqui, porque os mais recentes leem meu blog. Eles foram loucos o suficiente de me aceitar nas redes sociais. Entre jantares e risadas, dando indício de ser o ideal, massagens de casal (chique no último), declarações bêbadas de saudades, apelidos maldosos, que se tornaram uma boa propaganda… cá estou eu, pensando no meu número. Entre tantos, nenhum deu pro gasto? Devo fazer igual a mocinha do filme e sair procurando os ‘ex’? Devo me arrumar melhor para ir ao OBA Hortifruti? Deixa eu pensar… ou devo prestar mais atenção nos meus amigos, que adoram meu jeito, falam da minha risada, do meu olhar, do meu sorriso… do meu cabelo sem mafagafos… aqueles que me xingam, mas quando estão bêbados me ligam falando qualquer coisa seguida de “saudades”? Será?

Eu não sei que rumo minha vida vai tomar daqui pra frente, mas eu confesso que voltar no tempo me fez bem. Lembrei do meu catastrófico primeiro beijo. Da vez que meu irmão me trancou pra fora de casa porque eu estava no parquinho com um menino (e pasme, eu não quis nada com ele naquela época. Hoje, meu Deus, que deus… Tem homem que é melhor que vinho!). Lembrei dos sorrisos involuntários, do olhar brilhante, das cartinhas, dos SMS, das loucuras, pneus furados, tabus… Lembrei das minhas primas me arrumando pra… levar um fora. Elas acharam que seria um encontro!!! Lembrei da contagem regressiva, dos porres, das lágrimas, mas também dos beijos…

Lembranças. Ah, os caras da minha vida… Qual o seu número?!

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