Quando uma pessoa te faz mal…

Eu sou espírita assumida. E sendo espírita, sei muito bem que para me tornar uma pessoa melhor, de luz, eu preciso perdoar as pessoas, enfrentar os obstáculos da vida e dar a outra face quando levantarem as mãos em direção ao meu rosto. A-HAM! Calma lá, antes de eu ser espírita, sou humana, como você, que está lendo.

Eu tento, eu juro. Tento engolir sapos, abstrair comentários e ações, tento me colocar no lugar da pessoa, tento ver o lado bom das coisas, eu juro. Eu tento, mas nem sempre sou feliz nas minhas tentativas.

Às vezes, sinto que estou dando passos para trás. E quem não dá? Sinto que minha fé é pequena diante dos problemas pequenos que eu enxergo em tamanho triplicado. Eu me sinto mal. E o que eu faço?

Seria fácil apertar um botãozinho e esquecer. Esquecer aquelas palavras amargas que um amigo disse pra gente, a crítica desnecessária de algum parente, a decepção amorosa que tivemos… Como seria mais fácil, se esquecer fosse uma questão de clique. Mas não é. E por mais esquecida que eu sou – sim, me pego pensando onde conheci as pessoas, o que comi no almoço e onde deixei o bendito cartão do Sodexo -, tem coisas que a gente não consegue esquecer.

Eu sou muito criticada e não tiro a razão. Eu sou do tipo que foge dos problemas. Alguém me faz mal? Deleto de tudo, me afasto e tento não lembrar do ocorrido. Se eu não posso me afastar – por questões profissionais, que sejam -, eu tento rezar para forçar um esquecimento. Tem dado certo. Só não sei até quando!

Mas, confesso, que há algum tempo, algo tem me incomodando. Uma situação que só piora. Eu tento, eu me esforço, mas eu não consigo ter sentimentos bons, eu não consigo esquecer.  Eu lembro de cada detalhe, do sentimento de nojo/revolta que a pessoa me provoca, das palavras horríveis que em um momento de fúria eu seria capaz de reproduzir. Lembro de tudo isso e me afasto. Eu quero distância, mas não é qualquer uma, daquelas impossíveis de serem alcançadas. Não quero ver mais; a presença me faz mal. Muito mal. E talvez a pessoa saiba. E talvez ela faça de propósito.

Se eu sei que isso é ruim só pra mim? Opa! Como eu sei. Mas o que eu posso fazer pra esquecer? Enquanto as lembranças ruins são mais fortes que as boas, fico aqui vivendo no meu mundinho, entre críticas, perguntas sem respostas, afastamentos, julgamentos e punições.

Hoje, eu tenho menos luz do que ontem. E a culpa é minha. Minha e da pessoa que tanto me faz mal. Por quê?!

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