Eu gosto do barulho do salto

Quem me conhece há algum tempo deve ter notado a ausência de decotes em minhas roupas. Ok, tenho certeza que ninguém notou, mas eu notei. Certa vez queria por algo mais “sexy” pra ir a um barzinho e tcharã… não tinha! Tudo fechado. Apenas os ombros de fora – AMO.

Quando mais nova, mais mirrada, tinha de todos os tipos. Achava lindo. Hoje, me sinto horrorosamente horrorosa. Não curto. E isso só tende a piorar, acho.

Vamos aos fatos.

Meses atrás comprei uma blusinha com franjas, mas não sabia que a bendita me fazia voltar aos tempos antigos, decotados. Que sensação horrível.

Ok, há quem diga que fica bonito, feminino, que bla bla bla. Fica tudo isso quando você se olha no espelho, você se admira. E não quando você anda pela rua!

Fui almoçar em uma padaria próxima ao meu trabalho. Pra variar, não tinha vaga pro carro. Precisei colocar num estacionamento. Isso inclui andar um pouco e passar em frente a um ponto de Táxi cheio de homens.

Adivinha? Todos mudos, olhando, virando pra trás, pra frente, pra minha direção. Quando vê, escuto um “eu gosto do barulho do salto”, comprovando que eu tinha virado o assunto do momento. Que nojento!

Entrei no mall e mais homens olhando. Me senti um pedaço de carne. Me senti nojenta. Sério. O decote não vai até o umbigo – bem longe disso – , mas foi o suficiente pra me deixar mal.

Gente, como pode? Eu sempre me ausentei das polêmicas de assédio. Muitas vezes, confesso, achei que os depoimentos eram exagerados. E pensava: é por que eu não passei por nada disso. E tinha razão. Quando você passa…

Não foi nada absurdo. Não fui perseguida. Não fui agarrada. Não fui estuprada. Mas me senti molestada. Nem almocei direito. Juro.

Eu não me senti bonita, desejada, a última bolachinha do pacote. Me senti suja. Me senti horrível. Fiquei mal.

Eu não gosto do barulho do salto. Eu não gosto de olhares famintos. Eu não gosto de assédio. Homens, apenas parem.

PS: Me sentiria péssima do mesmo jeito se a cena acontecesse em outro ambiente, como um bar ou balada. Acho ridículo este tipo de atitude. Anota. R-I-D-Í-C-U-L-O.

E o coração? Vai bem!

Bom, sinto lhes dizer, mas se eu não morri hoje, eu não morro mais. #naneimortal

Sempre almoço em casa, mas hoje, justamente hoje, minha mãe pediu que eu almoçasse na agência. E obediente que sou, o fiz.

Mas o que comer? “Ah, faz tempo que não ando. Acho que vou lá na padaria…” Vulgo 2 quadras do meu trabalho. Achei que o pequeno salto não influenciaria, massss, confesso, doeu um “cadinho”. FOCO. Estou subindo até a padaria e a rua DESERTA. Nem um serzinho pra contar história ou me salvar, caso eu precisasse – e quase precisei!

No caminho vi um moço com sua mãe indo pra outra direção. Ok. Mas mesmo distantes, eu ouvia passos, que se aproximavam. Eu só pensava “Eu não tenho o que dar. Se ele me assaltar, digo que só consigo pagar um almoço; chamo ele pra almoçar comigo…” Sim, eu viajei em 5 segundos.

De repente, o cara soltou um “Boa tarde”. Aí meu coração foi na boca. Juro, eu gelei. E continue pensando “Não, não deve ser comigo. Vou fingir que não é comigo e continuar andando. Meu Deus, cadê as pessoas na rua?” E não, não era comigo. O imbecil estava no celular. E precisava me assustar? Logo ele foi pro outro lado e passou, passou.

Beleza. Cheguei no restaurante, pedi um lanche e um suco e fiquei esperando. O suco veio errado. Levei mesmo assim e estava bem bom. FOCO. Saí do restaurante com minha sacolinha rumo ao meu trabalho. Ao atravessar a rua, ouço uma mulher gritando e vindo na minha direção! “É hoje”, diria a grande compositora da atualidade Ludmila (risos).

Diminui os passos, pra ela seguir adiante na minha frente. Tipo, abri alas pra querida. Mas que adiantou? Do nada ela parou e ” Ô tia…” Era comigo. P*ta merda. Tia? Ela tinha idade pra ser minha mãe. Mentira. Mas era mais velha que eu. E eu era a tia. Tá. Neste momento meus “Divertida Mentes” começaram a correr de um lado pro outro. “Meu Deus, finjo que não é comigo de novo ou paro e escuto?” Parei e escutei.

“Vê se eu tô errada. Aquelas moças tão dando em cima do meu marido… tudo talarica… não tem que morrer?” O que você responde neste exato momento?! Eu só consegui dizer ” como assim? por que você não vai lá com ele, então, já que ele é SEU marido?”

Ela, quase chorando, “não, eu não quero mais ele… talarica tem que morrer… e pior, eu tô grávida dele…” E saiu andando, mexendo com um outro cara que estava na calçada.

Acho que ela não curtiu minha resposta. Uai. Se era dela, ela que fosse lá marcar presença. Não? Não! Ela não quer mais ele. Certa ela. Medrosa eu. Quase morri.

Ela foi para um lado e eu para o outro. O marido eu não sei quem é. As talaricas então… nunca vi mais gordas. E o cara do celular?

Quer saber, vamos falar de coisas boas… E o coração? Vai bem, obrigada!

Você quer ficar sem videogame?!

Cada almoço, uma história. Cheguei correndo, porque tinha um compromisso marcado às 13h. Na minha frente, duas crianças com a mãe. Dois meninos, mais precisamente. “Mãe, eu quero nuggets, mas está longe”, choramingou um deles. A mãe, então, foi lá e pegou UM. “Só um”, disse ela.

Vou fazendo meu prato quando me deparo de novo com as crianças. “Mãe, tem queijinho… Mãe, eu quero queijinho…” O que você faria? Primeiro, pediria pro filhote esperar e, em seguida, colocaria o tão desejado queijinho em seu prato. Mas né, mães terroristas, a gente vê por aqui. “Queijo não”. Ele não se fez por satisfeito: “mas eu quero…” E a grande resposta do dia: “você quer queijo? Então vai ficar sem jogar videogame!”

Comigo: WTF?!?!!? Que mãe é essa? Não dar fritura pro filho, OK. Existem mães conscientes que fazem seus filhos se alimentarem corretamente. Agora, um queijinho. Que dó do menininho. Que dó.

Então, fui pesar meu prato, inconformada. O menininho, sem o queijo, na minha frente. Acho que não deu nem 50g o prato dele. A atendente: “olha que belezinha, ele já se serve sozinho…” Poxa, se servir sozinho assim é fácil. O prato dele tinha UM nugget, que a mãe colocou, DUAS batatas fritas, UM ovinho de codorna e um montinho de algo que parecia ser cebola. COMO ASSIM?

Em menos de 1h, o menino estará com fome de novo. E aí, será que rola uma Ruffles com Coca-Cola? Uma passatempo ou Trakinas? Quem sabe um lanche do MC? Um cachorro-quente? Já sei, um sorvete bem gordo de 2 bolas da Sergel. Afinal, ele pediu um sorvete e tomou, novamente, um não: “Mãe, só hoje, você nunca deixa…”

Do que será que esse menino vive? Mãe terrorista, só por hoje, você me deixou inconformada!