Uma virada sem ondinhas

Quem acompanha meu blog sabe que o meu réveillon passado foi pura aventura. Um ladrãozinho de meia tigela roubou meu celular. Passei a virada gritando e correndo atrás do moleque. Sim, recuperei o celular, com a ajuda de 2 anjos.

Neste ano fui pra lá convencida de que não teria fotos com rosa branca na mão, em frente ao mar. Estava certa de que desta vez iria jogar minha rosa a Iemanjá, em troca de um belo carçudo, e pular as 7 ondas. Que nada!

Eram 22h30. Fui olhar na sacada e não tinha ninguém na praia. Não é possível… Voltei pro Show da Virada. 23h… 23h30. Apenas uns gatos pingados. Desisti de ficar regulando o movimento da praia. Sentei e me empolguei tentando ver minha prima dançando no Especial da Globo.

De repente, as crianças entram gritando na sala “tão chamando a polícia”. Saí correndo e fui pra sacada. Parecia que haviam aberto a porteira do rodeio. Era gente correndo pra tudo quanto é lado, gritando, pedindo socorro.

Justo neste ano…

Curiosa que só, desci na portaria com uma tia. Quando o elevador chegou lá embaixo, geral gritando, brigando pra ver quem entrava no elevad primeiroor. Adivinha? Nem saíamos dele. Se o povo tava brigando pra ir pra casa, alguma coisa tinha.

Arrastão. Mais de 50 homens invadiram a praia pegando tudo quando é pertence dos banhistas. Como pode? Dizem que teve até tiro. Não apurei os fatos. Só sei que mais uma vez eu não pulei as 7 ondas e nem joguei flores pra Iemanjá. Será que dá zica?

O que eu sei é que eu recebi uma mensagem assim “você não pode levar celular pra praia, hein, eu não estou aí pra te ajudar…” Como não amar? Uma vez anjo, sempre anjo.

Iemanjá há de me perdoar pelo atraso. E eu, hei de agradecer a grande proteção. Ano novo sem emoção não é ano novo, diz aí!? E o seu, como foi?!

O meu Réveillon dava um filme

Era 31 de dezembro de 2013. Todo mundo se arrumando. Minha mãe apareceu com um saquinho. “Mariane, tira o grampo pra mim…” Eu, toda prestativa, fui então ajudá-la. Mal sabia que era o começo de uma grande noite. O grampo saiu e entrou no meu dedo. “São nos pequenos cortes que se encontram as maiores quantidades de sangue”.

Sangrou loucamente. Comecei bem. Me troquei. Estressei. A minha face chata entrou em ação. Estava irritada, não só por isso. Coisas minhas.

A praia começava a encher. Os supersticiosos se reuniam na areia em coro. As 7 ondinhas estavam por vir. 5…4….3…2…1… Feliz Ano Novo! No meu apartamento, um tentava abrir a champagne, outro, pulava em cima da cadeira com o pé direito, os demais cantavam, gritavam e começavam a se abraçar. Não, eu não passei a virada em um hospício. Juro.

Choramos, fizemos votos de felicidades, dinheiro, amor e um namorado pra mim. Juro, todos os abraços me dedicaram isso. Eu só dizia: “amém”.

Fui na sacada e o pessoal já tinha começado a dispersar. Era hora de descer e levar uma linda rosa à Iemanjá. Peguei o celular e minha mãe se adiantou: “Mariane, não leve o celular. Eles roubam…”

Mas como eu ia tirar fotos na praia? Das rosas, das ondas, do mar? Levei.

Na entrada do prédio, aguardávamos minha tia. Tiramos algumas fotos e caminhamos.

Chegando lá, todos tiraram seus chinelos, rezaram e foram pular as 7 ondas. Menos eu e minha mãe. Com uma taça na mão, um pouco alterada, e a flor na outra, pedi que minha mãe tirasse uma foto. Ela pegou o celular e ficou tentando mirar em mim. A cena foi de cinema.

Em questão de segundos, um carinha veio correndo e levou meu celular de sua mão. Eu não tive outra reação. Saí correndo atrás dele. Perdi o chinelo no caminho, a rosa de Iemanjá ficou na areia. A taça do meu tio correu comigo.

Eu não ia desistir. Pensava nas fotos que tinha tirado, nas informações que guardo no celular, nos meus clientes (eu trabalho com Facebook e tenho todos meu clientes cadastrados ali) e, claro, na grana que ele me custou.

Corria igual louca. Na areia, só eu e o ladrãozinho correndo. Gritei. Gritei até ficar sem voz: “Pega ladrão, pega ladrão…” Pensava em jogar a taça, mas meu tio me mataria. Xingava. Em pensamento e em voz alta. Até que dois anjos me escutaram. Se levantaram e correram atrás do ladrão.

Um deles era lutador e imobilizou o filho da p#t@. Quando vi, corri mais devagar. Pensa numa pessoa sedentária – o ano todo -correndo na areia por quase 2km! Sei lá, talvez menos. Não tenho noção. O nervoso não me deixou calcular nada.

Cheguei chegando. “Cadê meu celular?”, gritei. O ladrão não tinha reação. Um dos anjos mostrou o aparelho e perguntou se era meu. Só conseguia chorar e abraçar… o estranho que havia me ajudado.

Chorava, tremia, respirava fundo. Não estava acreditando no que eu havia vivenciado. Cena de cinema. Cena que não sai da minha cabeça.

Para os curiosos, fui escoltada até a minha família, que não sabia de nada e ao me ver abraçada com o menino, acharam que era um amigo que eu havia encontrado. Ou então o futuro namorado que haviam me desejado. Nada.

Minha mãe me elogiou como nunca para o moço e eu me senti amada. E protegida.

Não pulei 7 ondas e não homenageei a mãe dos mares; consegui minha graça em cerca de segundos, minutos. Fui embora agradecendo meus mentores, meus orixás, minha proteção. Fui agradecendo a honestidade e fraternidade de poucos. Fui agradecendo pela lição que havia aprendido.

Hoje, não saio com celular. Converso com um dos anjos via whatsapp e dou risada quando lembro de tudo. Meu Ano Novo promete! E o seu, como foi?

 

Obs.: Quando peguei o celular, a primeira coisa que eu fui ver é se tinha saído alguma foto do ladrão. Sim, eu sou dessas.

 

Hoje eu acordei chorando

Calma! Não estava chorando por causa de um pesadelo ou notícia triste. Estava chorando por causa de um anjo! Chorando por causa das coincidências…

Ontem à noite, resolvi reviver alguns chats do aplicativo de encontros. Mandei um “oi” descomprometido para alguns rapazes com quem eu havia conversado dias atrás. De repente, o celular vibrou: “você tem uma nova mensagem”.

Era algo como: “terça-feira? Apô? Hoje não dá, estou no trabalho”. A tecnologia só é boa quando funciona em tempo real. Ao invés de receber o meu “oi”, o meu “anjo” recebeu um convite que eu havia feito semanas atrás. Ah, vá.

Ok, isso não importa. Rimos do atraso e trocamos nossos contatos. Conversa vai, conversa vem, ele veio com papo de anjo. Que homem não gosta de se dizer anjo? São todos uns anjinhos mesmo… só que não.

Estava feliz. Ri da brincadeira e disse que ele precisava me provar que era mesmo um moço dos bons, com auréola de ouro em cima da cabeça. Desafio lançado, eu fui dormir.

Eu nem o conheço, mas sonhei com ele a noite inteira. O sonho foi lindo. Minha família o adorava. A gente vivia um conto de fadas. Sim, eu levo todas as minhas idealizações para o travesseiro.

O despertador tocou. Como de praxe, peguei o celular. Uma mensagem. Achei que era mais uma daquelas correntes que o pessoal insiste em me enviar. Não. Ele mesmo havia escrito.

Não vou transcrever porque não vem ao caso, mas eu chorei. Chorei porque ele passou horas lendo meu blog para me conhecer e, assim, me surpreender. Chorei porque ele realmente leu meus textos, meus desabafos e disse que se fosse pra me conquistar, faria diferente do que eu havia escrito. Ele seria, a partir de agora, o meu anjo.

Mal sabia ele o quão importante aqueles caracteres seriam pra mim. Mal sabia ele que o destino, a tecnologia ou qualquer outra energia boa, ia colocá-lo em meu caminho. Pode ser que não aconteça nada entre a gente além de amizade. Mas me conforta saber que agora eu tenho dois anjos, um lá de cima e outro por aqui.

Obrigada, Anjo. Você fez o meu dia muito mais feliz. =)