O meu Réveillon dava um filme

Era 31 de dezembro de 2013. Todo mundo se arrumando. Minha mãe apareceu com um saquinho. “Mariane, tira o grampo pra mim…” Eu, toda prestativa, fui então ajudá-la. Mal sabia que era o começo de uma grande noite. O grampo saiu e entrou no meu dedo. “São nos pequenos cortes que se encontram as maiores quantidades de sangue”.

Sangrou loucamente. Comecei bem. Me troquei. Estressei. A minha face chata entrou em ação. Estava irritada, não só por isso. Coisas minhas.

A praia começava a encher. Os supersticiosos se reuniam na areia em coro. As 7 ondinhas estavam por vir. 5…4….3…2…1… Feliz Ano Novo! No meu apartamento, um tentava abrir a champagne, outro, pulava em cima da cadeira com o pé direito, os demais cantavam, gritavam e começavam a se abraçar. Não, eu não passei a virada em um hospício. Juro.

Choramos, fizemos votos de felicidades, dinheiro, amor e um namorado pra mim. Juro, todos os abraços me dedicaram isso. Eu só dizia: “amém”.

Fui na sacada e o pessoal já tinha começado a dispersar. Era hora de descer e levar uma linda rosa à Iemanjá. Peguei o celular e minha mãe se adiantou: “Mariane, não leve o celular. Eles roubam…”

Mas como eu ia tirar fotos na praia? Das rosas, das ondas, do mar? Levei.

Na entrada do prédio, aguardávamos minha tia. Tiramos algumas fotos e caminhamos.

Chegando lá, todos tiraram seus chinelos, rezaram e foram pular as 7 ondas. Menos eu e minha mãe. Com uma taça na mão, um pouco alterada, e a flor na outra, pedi que minha mãe tirasse uma foto. Ela pegou o celular e ficou tentando mirar em mim. A cena foi de cinema.

Em questão de segundos, um carinha veio correndo e levou meu celular de sua mão. Eu não tive outra reação. Saí correndo atrás dele. Perdi o chinelo no caminho, a rosa de Iemanjá ficou na areia. A taça do meu tio correu comigo.

Eu não ia desistir. Pensava nas fotos que tinha tirado, nas informações que guardo no celular, nos meus clientes (eu trabalho com Facebook e tenho todos meu clientes cadastrados ali) e, claro, na grana que ele me custou.

Corria igual louca. Na areia, só eu e o ladrãozinho correndo. Gritei. Gritei até ficar sem voz: “Pega ladrão, pega ladrão…” Pensava em jogar a taça, mas meu tio me mataria. Xingava. Em pensamento e em voz alta. Até que dois anjos me escutaram. Se levantaram e correram atrás do ladrão.

Um deles era lutador e imobilizou o filho da p#t@. Quando vi, corri mais devagar. Pensa numa pessoa sedentária – o ano todo -correndo na areia por quase 2km! Sei lá, talvez menos. Não tenho noção. O nervoso não me deixou calcular nada.

Cheguei chegando. “Cadê meu celular?”, gritei. O ladrão não tinha reação. Um dos anjos mostrou o aparelho e perguntou se era meu. Só conseguia chorar e abraçar… o estranho que havia me ajudado.

Chorava, tremia, respirava fundo. Não estava acreditando no que eu havia vivenciado. Cena de cinema. Cena que não sai da minha cabeça.

Para os curiosos, fui escoltada até a minha família, que não sabia de nada e ao me ver abraçada com o menino, acharam que era um amigo que eu havia encontrado. Ou então o futuro namorado que haviam me desejado. Nada.

Minha mãe me elogiou como nunca para o moço e eu me senti amada. E protegida.

Não pulei 7 ondas e não homenageei a mãe dos mares; consegui minha graça em cerca de segundos, minutos. Fui embora agradecendo meus mentores, meus orixás, minha proteção. Fui agradecendo a honestidade e fraternidade de poucos. Fui agradecendo pela lição que havia aprendido.

Hoje, não saio com celular. Converso com um dos anjos via whatsapp e dou risada quando lembro de tudo. Meu Ano Novo promete! E o seu, como foi?

 

Obs.: Quando peguei o celular, a primeira coisa que eu fui ver é se tinha saído alguma foto do ladrão. Sim, eu sou dessas.

 

Você

Eu nem devia estar escrevendo pra você, sobre você. Afinal, quem é você?!

Temos apenas um elo: a tecnologia. Ela nos fez combinar caracteres e criar expectativas. Ela é a grande causadora da angústia que eu estou sentindo agora.

Você, ali, tão perto e tão longe. Um celular. Algumas mensagens. A criatividade rolou solta. Como será que é? Hummm, interessante.

A cada dia que passava, o envolvimento era maior. Lógico, a carência é enorme e aí, quando a gente encontra alguém interessante, se joga na expectativa.

Você, em poucos dias, supriu o vazio que me dominava. Me fez sorrir quase todas as manhãs, me fez sentir querida, lembrada. Quanta bobagem.

“Não se faça ausente a ponto de se descobrir descartável”. É assim que eu estou me sentindo. Uma garrafa pet descartável!

Acabou tudo. Acabou o encanto, a vontade de conhecer, de conversar. Tudo. Ficou somente o descaso. Por que?

Em uma semana eu descobri tanto sobre você e também falei muito de mim. Íntimos. Uma intimidade efêmera.

Eu desejei. Eu quis muito. Foi tudo em vão.

Meu celular não toca mais. Eu não recebo mensagens calorosas. Eu virei pet.

Você, por que você? Você não deveria saber, mas quantas vezes olhei para o celular esperando um único ícone. Quantas vezes esperei por um sinal, por uma resposta. Talvez um convite… Esperei, como sempre o fiz. Eu sou assim, mas você não me conhece. Eu crio mundinhos paralelos. Os meus mundinhos. Eu idealizo, eu sonho… eu escrevo!

Acabou o que nunca começou. Desejo a você toda a felicidade do mundo. Que você dedique todos os seus futuros caracteres a alguém que te faça sempre sorrir, como você me fez nestes dias que se passaram. Foi bom enquanto durou. Muito obrigada =)

Uma mensagem

Ela manda. Ele manda. Eles mandam. Todo dia. Um pro outro. E pra outras pessoas.

Uma mensagem. Um sorriso. Um conforto e alívio. Alguém ali tem. Hmmm.

Se não chega, a ansiedade aumenta. Dependendo do conteúdo, o coração acelera.

Se não é sorriso, é ciúmes. Se não é sorriso, é falta de atitude. Mas quase sempre é sorriso.

Uma mensagem. Ele. Ela. Conquista. Afeição. Carinho. Amizade. O que será que vai rolar?

Chegou uma nova mensagem!

Quem é?

Quando eu falo que só atraio loucos, o pessoal não acredita. Mas eu provo. Ah, eu provo. Estou eu, em casa, sábado à noite (ohhhhhh), quando chega uma mensagem no celular. “Queria te ver”. Hmmmm. Um filme passa pela sua cabeça. Você lê, relê e pensa: quem será o Benedito? (risos)

Número de SP. A coisa começa a ficar mais difícil. Todos os seus amigos de SP estão devidamente salvos em sua agenda. Quem será? “Queria que você viesse aqui me ver…” Joguinho então. Eu, toda curiosa, “te ver? Em SP?” A pessoa riu e disse que estava em Campinas. WTF? A cada minuto uma mensagem nova. Até que você para de responder e a pessoa resolve dizer quem é.

Assim, você jamais iria imaginar. Por que essa pessoa está me escrevendo? Quer me ver? Ahhhh, fala sério. Mas né, você é legal e responde “ó, que surpresa”. Diz que não pode ir vê-lo, porque está fazendo um trabalho e para de responder. Mas a pessoa não se contenta e te manda mensagens e mais mensagens. Sem resposta, lógico.

No outro dia, o celular dá aquela tremedinha: “você ficou brava comigo? Fez bolo e não me chamou…” Eu devo ter cuspido na cruz, certeza. COMO?! Mas o pior está por vir, calma!!!! Respondi que não havia ficado brava e ponto. Assunto encerrado, ok? Nãoooooooooo, nada de Ok.

A noite chega e com ela uma mensagem. Vou ver, é da mesma pessoa. Tan tan tan tannnnn. Preparados? Ele escreveu, eu não respondi. Ele mandou: “quem é?” Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, sério? Eu ri litros. O cara me encheu o saco. Viu que eu não correspondi e me deletou? Quis fingir que outra pessoa pegou o celular dele? Queria ver se eu respondia? Meu Deus, alguém me explica? Estou até agora sem entender.

A única coisa que eu sei é que as pessoas são loucas, varridas, e que eu sou muito legal. Fala sério. A gente dá o pé, o povo quer o corpo inteiro. Ui! Amigão, sabe quem é? A menina que era amiga do seu primo. Que te viu uma vez na vida e não tem a mínima intimidade e vontade de ir te visitar! E já que você quer bolo, você vai ter. TU TU TU!

Alô, vamos negociar?

Dia de final do campeonato brasileiro. Bar lotado. Ambiente meio escuro. Muitos chopps, muitos copos, muitos garçons limpando as mesas. Segurei meu celular. Pretinho, básico, vai que o garçon tira junto com a sujeira?! Eu fiz isso, minha amiga não.

Pagamos a conta e resolvemos fazer um ‘pit stop’ na sorveteria. Quando ela se dá conta, cadê o celular? Ligou para ‘si mesma’ e uma mulher atendeu. “Olha, eu estou com seu celular. Gostei dele. E não vou devolver. Você quer negociar? R$300?” OIE?

Bom, tendo em vista que o celular dela é um smartphone, caro, e que ela guarda a vida inteira dentro daquele aparelho – inclusive contatos profissionais -, como proceder? Ligamos para uns amigos que ainda estavam no bar e voltamos pra lá. Eles disseram não ter visto o celular. No meio do caminho, bloqueamos o aparelho e a linha. Nada como ter amiga gerente da Claro!

Chegamos tumultuando, querendo falar com o gerente. Uma amiga resolveu perguntar pros meninos de novo. Na roda, eles e umas garotas que estavam sentadas na mesa ao lado da nossa, durante o jogo. Falo garotas, mas a vontade é de soltar um “vadias” logo de cara! Pois bem, “aí, não consigo fazer maldade”, soltou uma delas. Favor ler essa frase com a maior voz de bisca! MALDADE?

Quanto tempo leva pra um menino amadurecer? Hein? O celular estava com os nossos ‘amigos’ – quem precisa de inimigos? E a “garota” – vadia – que havia passado o trote na gente. Como pode?

Homens, ligariam no celular de qualquer outra amiga e falariam: vocês esqueceram o aparelho aqui, onde estão? Vou levar aí… MOLEQUES, pedem para vadias passarem trote nas amigas. Deixam elas desesperadas, pensando em como amenizar a situação! Taí a diferença!

E sim, Rafael, agora o post foi pra você! Mandou benzão! Orgulho!!!

 

 

Celular-arma

Extra! Extra! Está no mercado um celular-arma. Você abastece com bebida alcoólica e se mata depois, de vergonha.

Diz aí, quem nunca mandou um SMS bêbado? Não interfere o sujeito bêbado, você ou o SMS… (risos). Eu já mandei mais, muito mais… Tinha um leque de opções. Hoje o número é restrito, mas a bala é mais potente.

Estava em Andradas no fim de semana. Sexta-feira de muito sertanejo. Bebe daqui, de lá. Vê uma pessoa. Percebe a falta de atitude da mesma. Olha para um lado, pro outro. Pega o celular. AI AI AI. A música toca. Aliás, por que ela toca? Músicas lembram pessoas… Os cantores deveriam saber disso. Aliás, os organizadores das festas deveriam saber disso! E, então, proibir a entrada de telefones em recintos repletos de bebidas alcoólicas. Não?!

“Inventor do amores… está tocannnnndo”. Ainda bem que foi só isso. Só isso. Mas né, não devia ter sido nada. Que eu escuto a música e lembro, a pessoa sabe. Pra que reforçar a mensagem? Vai que o SMS chega na hora errada? Em mãos erradas? Problema, na certa! Não pensei. Não lembrei.

No outro dia, fui olhar os torpedos. “Nãoooooooooooo, olha o que eu fiz…” Já era. E a pessoa adorou. É ruim, hein? =( quém quém quém!