Papai Noel é muito danado

Eu queria falar sobre Papai Noel. Sim, o bom velhinho, barbudo, que não se preocupa com o look de Natal. Todo ano ele usa a mesma roupa. E arrasa, diga-se de passagem.

Ele adora ler cartas. E quantas ele recebe, hein…

Na noite de Natal, passa “correndo” por diversas casas, entregando presentes às crianças que se comportaram bem durante o ano.

Não é assim?

Não me lembro até quantos anos deixei a magia do Natal invadir meus pensamentos. A única coisa que eu sei é que eu amo muito tudo isso. Obrigado, Coca. Por ter construído o Papai Noel e, também, por este slogan que combina com tudo.

Porém, como sempre faço, rodei, rodei e não cheguei no ponto que queria.

Desde ontem, estou refletindo sobre o assunto. Como as coisas mudaram…

Se por um lado eu fico em choque ao ver minha priminha de 9 anos acreditando piamente na chegada do Papai Noel, fico muito feliz que este espírito esteja cada dia mais próximo da sua realidade.

2016 foi um ano difícil, nomeado o “ano da crise”. Foi difícil mesmo. Foi um ano para repensar. E quer data melhor pra isso do que o Natal?

Vi muitas pessoas falando que neste ano não ia ter presente. Malemá o velho e divertido amigo secreto. E olha, foi bem isso mesmo. Cada vez menos vejo troca de presentes. E isso é MARAVILHOSO.

Sabe aquela crença de que o melhor presente a ser dado é no Natal? Então, carreguei comigo por muitos anos. E digo mais, não estava sozinha.

Mas a crise ajudou. Vi neste Natal muito menos presente e mais presença. Mais olhar nos olhos, mais abraços, carinhos. Vi palavras de afeto… Escutei até um “eu tenho orgulho de você”. <3

Estamos entendendo o significado da data, gente. Natal é família, é encontro, é amor, é confraternização. É um momento que a gente se reúne, reza, dá risada, passa junto. É aquele encontro que a gente desmarcou o ano inteiro, por não conseguir bater as agendas.

Estou muito feliz.

E mais feliz ainda pela simplicidade dos presentes pedidos.

Lá em casa, as crianças desistiram, de última hora, de pedir presentes ao Papai Noel. “Má, eu ia pedir uma pulseira, mas aí a vó deu a pulseira pra gente. Aí não tinha o que pedir!”

Gente, na minha época eu queria o presente mais caro de todos. Era patins, bicicleta, bonecas… E ela só queria uma pulseira!

Aí, veio a outra: “Eu tinha pedido um brinquedo, mas desisti. Achei que ele não ia trazer nada, mas ele trouxe um batom da cor que eu queria”.

Neste momento, eu segurei o choro. E a única coisa que eu consegui dizer foi: “Que Papai Noel danado, né? Acertou em cheio!”

Como todo ano, me candidatei à ajudante do bom velhinho. Fiz a listinha das crianças e fiquei pensando o que poderia dar a elas. Algo simples, mas que elas gostassem. São 4 pequenas e 1 pequeno. A Isa já tá grandona.

Comprei batom e perfume pras meninas. A cor foi “na sorte”.  Uma delas não desgrudou do batom por nada. Retocava e beijava as pessoas, pra deixar sua marquinha. Uma outra, chegou pra mim e disse que era a cor que ela queria! Gente, e vocês ainda não acreditam em Papai Noel?

Eu acredito. Acredito na magia, na pureza, na presença. Eu acredito numa noite de união, de paz e amor. Eu acredito que estamos no caminho certo!

Que a cada ano, o Natal possa mais ser vivido do que presenteado. E se for presenteado, que seja simples e personalizado. Nada melhor do que receber algo que você esteja precisando ou que tem a sua cara.

Esse foi meu pedido ao bom Velhinho. E o seu? O Natal de 2017 promete.

Você viaja na maionese?

Quem me conhece sabe que eu sou vidrada por criatividade. Amo coisas diferentes, inovadoras. E amo escrever. Juntou tudo e… me pediram ajuda com redação.

Não era a primeira vez. Li, pontuei os erros ortográficos e fiquei pensando: “Meu Deus, será que todas as crianças estão escrevendo apenas para cumprir tarefa?” Cadê a criatividade?

“O passarinho atravessou a rua, veio um carro e o atropelou. Fim”. Mais ou menos isso. Ou quase nada parecido com isso. É um exemplo. Direto, reto, feito. Nãooooooooooooooo! Como chamava o passarinho? Qual era sua raça? Ele estava atravessando uma rua? Qual? Por que ele não estava voando? Que carro era esse que o atropelou? Quem estava dirigindo? Por que o motorista não avistou o pobre do passarinho? Ele o socorreu? A mãe do passarinho apareceu?

Como diria uma colega, “há tantas perguntas sem respostas”.

Fiquei chocada. Instiguei a criança e depois recebi o feedback: “A professora leu o título, ficou surpresa. Elogiou minha redação”. Era a continuação de uma tirinha da Mônica sobre gangorra, senão me engano. O título dela citava os personagens e o objeto em questão. Falei pra ela: “Se fosse eu, colocaria assim no título – Um é pouco, dois é bom, três é demais”. Ela ficou me olhando como se tivesse falando grego e aceitou a sugestão! Não?

O fato é que depois deste episódio, eu resolvi que ia fazer alguns testes. Ia fazer uma espécie de oficina de criatividade com as crianças lá de casa. E fui contar a novidade pra elas: “A Má quer fazer um teste com vocês. Vocês precisam aprender a viajar na maionese…”

A menor riu e não segurou a interrogação: “Má, o que é viajar na maionese?”

- É pensar em coisas que não existem. Tipo, um cavalo que toma sorvete, uma pipoca que fala, uma nuvem que pula corda…
Ela ficou me olhando e continuou andando. Chegando em casa, estávamos todos na mesa do famoso café da tarde quando ela vira pra minha mãe: “Tia Maria, você sabe o que é viajar na maionese?”

Minha mãe riu e negou. Ela respondeu “É pensar num cavalo que toma sorvete, uma pipoca que fala, uma nuvem que pula corda…” Eu nunca ri tanto!!! “Eu vou ensinar pras minhas amigas na escola…”

A tarde foi longa e ela queria logo aprender a viajar na maionese. Enquanto comíamos um balde de pipoca, comecei o exercício:

- Vamos imaginar que essa pipoca tem vida e está indo visitar… quem?

- Sua tia… um amigo… Cada uma respondia uma coisa.

- E quem era sua tia?

- Uma pipoca… não, uma abóbora. É, uma abóbora.

Elas olhavam pra mim sorrindo. Estava na cara que naquele momento, haviam sido transportadas para o Mundo da Pipoca falante.

- E a tia abóbora tinha filho?

- Tinha, 1.

- E como ele se chamava?

Ficamos por algum tempo viajando na maionese, na pipoca, na abóbora, na imaginação. Foi gostoso. Que tal fazer isso em casa? Aperte os cintos e BOA VIAGEM!