Ele vai ser pai

Sabe aquelas paixonites que você nunca esquece? Que adoraria rever pra saber se mudou alguma coisa ou continua encantador?

Lembro como se fosse hoje. Aquela festa. Aquela fantasia. Aquele beijo.

Um beijo que era bom demais. Que durou o suficiente para marcar.

Os anos passam. As pessoas se distanciam. E eu escrevo. E divulgo.

Sempre quis notícias. Nunca as tive. Até ontem.

Maldito bendito Linkedin. Ele resolveu dizer aos meus contatos que eu estava comemorando aniversário de empresa. Mentira. Faltam 2 meses ainda =S

E aí, eu comecei a receber mensagens de parabéns. Algumas de pessoas que eu nunca vi na vida. E uma, dele.

Como sempre, tentei tirar proveito da aproximação. Se tivesse que definir minha curiosidade em uma frase seria: “quem pergunta o que quer, escuta o que não espera”.

Fiz uma brincadeira: e aí casou? tem filhos?

E ele respondeu SIMMMMMMMMM!

Casou ano passado. Está “grávido” de uma menina. Sabe pra quando? Junho! Imagina se ela nasce no dia do meu aniversário?!

Quem sabe era isso que ele precisava pra se lembrar de mim como eu me lembro dele…

Estou muito feliz por ele. Eu juro. Mas ao mesmo tempo triste. Eu ainda tinha esperança de reencontrá-lo. Não solteiro. Não é isso. Mas queria vê-lo. Queria conversar. Relembrar o passado…

Mas né, o destino, mais uma vez, gritou bem alto: ”E todos a sua volta se casarão e… você estará lá curtindo, compartilhando e comentando”. Amém!

1991

Hoje podia ser um típico domingo, mas não foi. Com o intuito de distrair um tio, que veio almoçar aqui em casa, resolvi colocar um filme: “Aniversário do Serginho -1991. Achei sugestivo. Achei interessante. Coloquei.

Parecia uma criança diante de uma mesa cheia de doces. Meus olhos brilhavam. E sabem por quê? No mesmo vídeo, revi meu pai, meu avô, minha avó, minha bisavó, uma tia e uma prima, que faleceram. É, em 23 anos muita coisa mudou.

Como é gostoso ver todo mundo pequeno. Os adultos todos de cabelos bem escuros e super esbeltos… Como é gostoso ver seu pai ali tirando fotos e pensar: eu tenho pra quem puxar. Como é gostoso ver seu avô declamando versos que ele mesmo compôs. Ver seus tios cantando. Ver o seu irmão, o aniversariante, no auge dos seus 2 anos de idade, entrando na dança. Ops, na cantoria.

Como é gostoso ver aquelas pessoas que você tanto ama ali, vivinhas. Ver você puxando seu pai pra ir buscar algo… Falando nele, nada mais divertido do que ver a sacanagem que ele fazia com todo mundo. Sabem aqueles bexigões? Ele enchia de farinha e doces. Quando estourava, deixava todo mundo branquelo. Eu tenho fotos assim. Eu toda de branco, cabelinho liso, ralo, toda infestada de farinha. DEMAIS.

É, em 1991 eu era feliz e sabia. Criança sempre é feliz. Eu apanhava dos meus primos maiores, levava mordida, beliscão, mas eu era feliz. Eu tinha meus avós, eu tinha meu pai, eu tinha minha prima. Eu tinha… Por que a gente insiste nesse verbinho possessivo?

Só por hoje eu senti saudades. Eu não queria beijo – hoje é dia de beijo! -, eu queria abraços. Abraços fortes, igual ao que meu tio me deu hoje. “Que delícia de abraço, tio”, falei pra ele. Ele me respondeu com um sorriso no rosto: “É bom abraçar, né?” E como é. Só por hoje eu queria O SEU abraço, pai! Te amo.

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Ele é o cara

Hoje eu li uma frase que na hora fez muito sentido: “Pare de sofrer, ele é só mais um cara. E você já esqueceu outros caras como ele…”

Ok. É aquele tipo de frase que você lê, dá uma risadinha e concorda mentalmente. Cabe para as mil paixonites que a gente tem por ano. Mas não cabe para o que eu estou sentindo agora!

Meu dia começou com uma mensagem: “Mari, hoje é aniversário do seu pai”. Não, eu não precisava desse aviso. Meu pai não é igual aos outros caras que eu esqueci em um passado não tão distante. Ele é o cara que eu jamais vou esquecer.

O cara que me colocou nesse mundão. Que me ensinou a andar, a falar, a seguir na linha. O cara que disse que pra me namorar, os caras esquecíveis teriam que comer um saco de sal com ele. O cara que, sentado na porta de casa, me ajudava a fazer as lições de Artes.

Aquele cara que me abraçava com carinho, que me levava pro trabalho só pra mostrar pros amigos a sua obra: “Minha filha…”

O cara que era extremamente bravo, teimoso, mas que daria a vida por sua família. Um cara que tinha orgulho de ser o meu pai! Aquele cara… que hoje completaria 59 anos. O cara, o meu cara.

O tempo pode passar, mas as minhas lembranças não. Lembro dele e sinto saudades. Lembro dele e choro. Choro sua presença – ele está sempre comigo, tenho certeza. Choro seu futuro – porque tenho medo das minhas próprias crenças. Choro porque sei que sou um pedaço dele aqui, vivo, cumprindo com tudo aquilo que eu pedi lá em cima.

Pai, uma palavra tão pequena, mas cheia de significado. Eu jamais vou te esquecer! Você é o cara! Parabéns!

O dia em que meu herói partiu

Era por volta de 16h. Eu e meu irmão estávamos na casa de uma tia. Alguns familiares tentavam nos distrair enquanto nossa mãe estava no hospital. O telefone tocou. “Ma.. ma…” disse ele. “Você quer ver a Mariane e o Serginho?”. Uma lágrima caiu. Nós precisávamos ir até o hospital. Desta vez não teve escolha: era ir ou ir. Nosso pai queria nos ver.

Chegamos lá, o quarto cheio. Eu tinha acabado de completar 8 anos. Meu irmão, 5. Estávamos assustados. No leito, nosso pai. Aquele cara forte, alegre e amado. Agora, magro, cheio de aparelhos e triste. Era seu último dia na terra. Era nossa despedida.

Com um olhar distante, ele tirou forças de onde não tinha e nos abraçou. Abraçou e chorou. Minha mãe pediu: fala pro papai que você ama ele. Eu o fiz. “Pai, eu te amo”. Saí de lá sabe-se lá com o pensamento onde. Mas tenho certeza que me perguntava o que estava acontecendo ali. Eu não sabia porque estava todo mundo naquele quarto, rezando e chorando ao mesmo tempo.

Despedida. Essa era a palavra que definia aquele momento. Menos de 1h depois, ele partiu. “Vai Sergio, vai cumprir sua missão. Eu vou criar os nossos filhos…” E assim foi. Ele foi. A história foi. O meu melhor abraço se foi.

Hoje, me encontro mais uma vez aos prantos. O tempo ameniza as feridas, mas não as cicatriza. Há datas em que a saudade é inevitável. Eu sei que posso sentí-lo, que posso conversar com ele em pensamento, mas não é a mesma coisa. Eu posso, sei lá, abraçar meus tios, minha mãe-pai, mas mesmo assim, não é a mesma coisa. Eu queria voltar no tempo. Eu queria dizer: “Vai Pai, cumprir sua missão. Papai do céu está precisando de você. Vou ajudar a mamãe a cuidar do Serginho. E você terá muito orgulho de mim”. Não falei ali, mas falei em oração. E cumpri.

Aquele dia. Aquele momento. Aquele olhar. Tudo ficou no tempo. Em um tempo que eu não vejo a hora de reviver. Uma outra vida, uma outra história, mas com o mesmo amor. O nosso reencontro está próximo. Até já, Pai!

Você acredita em cartomante?

Eu sempre me interessei por assuntos místicos. E confesso, já fui em cartomante. “Essa é muito boa, fala cada coisa…” Não disse nada. Errou tudo. Masssssssss, reza a lenda que existia uma muito boa aqui em Campinas e minha mãe foi lá. Ela era solteira e a mulher disse que ela conheceria um cara, alto, meio claro e que estaria de shorts. Vago, né? Nem tanto…

Minha mãe se casou tarde e com um cara alto, meio claro e que ela conheceu de shorts, passeando com seu cachorro! Se foi coincidência, não vem ao caso. A cartomante mandou muito bem. E minha mãe conta a história até hoje, dizendo que só ela acertou as coisas.

E por quê resolvi escrever sobre isso? Na verdade, esse foi mais um título chamarisco. Eu vim mesmo é falar sobre paixão ou amor, como meu pai descreveu. Vamos por partes!

Estávamos na mesa da cozinha, tomando nosso café da tarde, quando minha mãe soltou um: “tenho guardado um trabalho de escola da Mariane. Ela tinha que descrever os avós. Falou isso, isso e aquilo”. Mais que depressa, pedi que minha mãe me mostrasse esse achado. O que eu teria escrito sobre meus avós? Fiquei curiosa.

Em meio a muitas cartinhas melosas, que eu evitei reler, ela me deu uma carta. Era do meu pai. Datava novembro de 1983, aniversário de minha mãe. Uma carta apaixonada. Nela, meu pai, super romântico (eu não conheci isso), escrevia, com uma bela letra, linhas de paixão. Sempre disseram que meu pai era mulherengo e bla bla bla. Não imaginava o quanto ele gostava da Dona Maria. “Amor é pensar na pessoa amada o dia inteiro, é querer estar com a pessoa todos os dias, minutos, e é isso que aconteceu comigo”. NOOOOOOOOOOOOOSSA! Se eu recebesse uma carta dessa, mandaria um “SIM, eu aceito”, mesmo que o manuscrito não acompanhasse nenhum pedido (risos). “Você é a coisa mais importante da minha vida, mais que minha família. Não paro de pensar em você…”

Como pode? Uma peixe vivo… viver fora de água fria. CHOQUEI. Fiquei rosa chiclete, laranja abóbora, amarelo dourado. Romantismo imperava na década de 80. Que lindo! Fiquei feliz e com vontade de chorar. Eu ando melosa demais. JESUS!

Enquanto elogiava cada linha, ela me deu outra. Nessa, eu ri. Eles haviam brigado e meu pai dizia que queria comprar um presente pra mamis. Ela disse que não queria nada, porque tinha TUDO. Ele se sentiu ofendido, a chamou de metida, exibida e mais. Agora eu entendo de onde vem meu apelido de “arrogante” hahahaha Quer dizer, de orgulhosa! Às vezes, quem não é?!

Bom, paro por aqui, senão minha mãe vai me xingar. “Você coloca tudo na internet”. Algumas coisas eu coloco mesmo. Cadê a cartomante? Será que meu marido também estará de shorts? Prefiro sunga, branca. Nossa, essa não sou eu. Rebobina a fita. Prefiro terno, gravata, óculos escuro. Não, passa pra frente. Prefiro com um sorriso no rosto. Ahhhhh, o amor! Dias, minutos, você! Um dia, quem sabe?!