Desculpe o transtorno, preciso falar de mim

Fui a última da minha turma a dar o destemido primeiro beijo. E adivinha? Achei horrível. “Era só isso? Não quero mais. Nunca mais”. Foi em uma cara que eu conheci no ICQ. Apesar de ser apaixonada pelo meu vizinho, queria treinar antes com algum desconhecido, que eu nunca mais veria.

Sim, a insegurança mandou lembranças. E foi. Ele fumava, era magricelo e repetente na escola. O genro que minha mãe sempre sonhou pra ela, só que não. Nunca mais o vi. E nem tive notícias. Era este o objetivo, né?

Eu logo esqueci a decepção do primeiro beijo e saí curtindo a vida adoidado. Que época boa. Usava a barriga de fora, lentes coloridas nos olhos, trocava o All Star com a minha vizinha – a gente ia com um pé rosa e um pé vermelho, nas domingueiras. Eu não fazia ideia do que estava fazendo.

Quantas horas passei conversando com crushs no ICQ… Naquela época não tinha esse nome e nem a internet de hoje. Brigava em casa. Ligava o pc à meia noite e me divertia horrores com a conexão do IG. O e-mail? Hotmail, claro, com apelidos esdrúxulos. O meu era “fyotinha”. Não me pergunte o porquê.

O tempo passou. Aprendi que paixões a gente tem aos montes. Desde o vizinho mestiço, o cantor da pop band, o cara mirradinho do colégio, o emo da balada.

Você irá ao cinema com alguns, bares com outros, teatro, stand ups, restaurantes… e todos passarão. Todos ficarão apenas na sua pequena memória de elefante.

O primeiro namorado de 4 meses… O segundo e último, oficial, de 8. Sempre meses. Passageiros. Marcantes. Especiais.

Seria perfeito se parasse por aí. Mas não, você sempre vai se deparar com serumaninhos escrotos, mulherengos, machistas e vai desistir da vida amorosa.

Não por muito tempo, porque a tecnologia está aí pra ajudar. Tinders, Happns e muitas pessoas que você jamais conheceria na balada, no bar, no supermercado aparecerão. Que romântico.

É vida que segue. É paixão que acontece. É falta que sempre vai existir.

Na minha cabeça, passou um filme. Pensei que fosse chorar com algumas lembranças. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido tudo isso e ainda estar viva, com sequelas, mas viva (risos).

Não falta nada. Na verdade, ainda falta. Mas tudo tem seu tempo. Tudo tem sua trilha sonora. Tudo tem sua poesia.

Quer saber?

Desculpa o  transtorno, mas eu precisava falar de mim.

Aqui tem bastante pneu, mas não é pra STEP!

Faz tempo que não venho aqui. Faz tempo que não tenho vontade de escrever. Faz tempo. E o tempo continua passando.

O ano já está chegando ao fim. E eu? Me encontro naquela fase horrorosa do “sem rumo”. Não completei nem metade dos itens que havia proposto para 2014. Aliás, nem sei se eu registrei isso em algum lugar. Estou naquela fase em que você se pergunta: por que você trabalha? por que você está sozinha? o que você sonha conquistar? PARA ONDE VOCÊ ESTÁ INDO?

E a resposta é: indo, apenas indo, sem rumo. Não sei pra onde vou. Não sei porque estou indo. Não sei de nada. Não tenho vontade de nada. Sair? Meus amigos estão conseguindo milagres. Um fim de semana ou outro eu falo: putz, eu preciso fazer diferente; EU VOU!

Nada. Vontade de nada. Continuo tendo altos e baixos, me cuidando só de vez enquando, descontando a ansiedade na comida e procurando alguém que eu não sei se existe. Juro.

Quando saio, fico reparando nos casais. Vejo falta de amor, do casal e próprio mesmo. As pessoas toleram as coisas por que amam? Por que têm medo de ficarem sozinhas? Ou sou eu a errada disso tudo!?

Sério. Um dia no bar, escutei uma moça falando sobre seu casamento. Ela falou mal do noivo, falou que ele destrata ela, que não queria casar, que só reclama dos gastos. MEU DEUS, o que ela está fazendo com ele!!?!?!?!?!?!?!?!?!

Em outro dia, vi um cara bêbado, falando alto, fazendo piadas idiotas, querendo chamar a atenção. A namorada ou noiva, sei lá, toda envergonhada, querendo abrir um buraco e entrar dentro. Se eles são tão diferentes, se ele é sem limites, por que ela está com ele?! POR QUE?!?!?!?!!

Ok. Aí as apaixonadas vêm me falar: “não existe ninguém perfeito; a gente tem que relevar. Eu gosto dele”. Ok. Ninguém consegue controlar o coração. Fato. Mas acho que muito disso tem a ver com comodismo. E sim, com minha tolerância zero.

Com esse Tinder, conheci alguns caras, confesso. De todos os encontros, não teve um que eu falei: “Mãe, é esse”. Nem chegou perto. Sim, todo mundo tem defeito e em apenas algumas horas você consegue notar os principais. E aí, não tem como, é “prazer, foi bom, adeus”.

Um se acha a última bolachinha do pacote, sem o ser (mentira, quando eu o conheci pensei: NOSSA, ele é lindo, gente boa… Mas eu estava levemente alcoolizada. Não conta), um é muito moleque, um tem potencial pra melhor amigo, um só aparece de mês em mês, um é muito pão duro e outro mais baixo que você. Como encontrar alguém para dividir momentos? Hein? Cuma? Onde?

Ok, eu não sou perfeita – estou longe disso -, não sou bonita ( e por isso não exijo uma beleza grega), mas existem mínimos. Confesso: se de primeira o cara já vem falar que não quer gastar muito, já era. Meu filho, uma coisa é você não ter condições, outra é ser mão de vaca!

Confesso, se de primeira o cara fala que nasceu pra ser solteiro, convido pra balada. Mas né, amigos amigos…

Confesso, se de primeira o cara só quer sacanagem. Já era. Paga que fica mais barato!

Confesso, se de primeira o cara diz que odeia algo que eu gosto muito, sumo do mapa. Não dá!

Confesso, se de primeira o cara conta muita vantagem ou fica bancando o briguento, o machão, brocho. Todo mundo tem ego, segure o seu, ao menos nos primeiros encontros.

Confesso, se de primeira o cara não sabe nem conversar, invento algo e vou embora. Hello?!

Confesso, se o cara não se esforça pra me ver, pra sair comigo de novo, faço a fila andar. Não tenho paciência pra lerdeza ou falta de vontade. Aqui tem bastante pneu, mas não é pra STEP não, rapaz!

Confesso: vou ficar pra titia. beijos tchau.

Os caras da minha vida

Muita calma nessa hora. Se você veio aqui pra saber se eu ia falar sobre você, citar seu nome ou coisa e tal… tão te chamando lá fora. Este texto não tem este intuito. Vim falar sobre OS caras da minha vida, dá licença!

O negócio é o seguinte. Quando uma mulher toma um pé na bunda, é traída pelos amigos,  perde o emprego, ou seja, vai parar no fundo do poço… ela se joga nas comédias românticas. Não interessa em qual caso eu me encaixe, ok? O importante é que eu segui a dica de uma amiga e assisti “Qual o seu número?”.

Não, eu não cheguei à média nacional americana (se você assistiu, vai entender. Caso contrário, que tal ler um release?), mas já me apaixonei pelo mesmo número de caras com quem a protagonista se deitou. Ah, a paixão…

E por que não deu certo com nenhum deles? Talvez imaturidade. Em todos os sentidos. Quem é geminiano sabe do que eu falo. Se você tem 5 opções, qual você escolhe? Todas. E sim, no final fica sem nenhuma delas. Triste. E foi isso que aconteceu comigo o tempo todo.

Mas, né, vamos mudar de assunto. O fato é que nestes meus quase 27 anos (jesus, tô idosa), eu já me apaixonei inúmeras vezes, já assisti dezenas de comédias românticas, sonhei com príncipes e idealizei relacionamentos… Pra? Me iludir, oras.

Minha primeira paixão (olha a confissão) foi um amigo de colégio. Na verdade, eu não me lembrava de ter gostado dele, mas encontrei uma foto com seu rosto circulado… com um coração. Oummm. Acho que até hoje ele não sabe. Não vou dar dicas… vai que…

Depois, veio a paixão extremamente platônica da vizinhança. Aquele vizinho que todo mundo queria. Eu? Como eu conseguiria ficar com ele? Eu, que nunca tinha beijado na vida… Eu, que ligava na casa dele toda hora só pra ver se ele estava em casa. Ah, e desligava na cara das irmãs… Nunca vi menino pra ter mais irmãs que ele. Cada hora era uma que atendia… E a hora da van? Ficava na janela esperando ele ir pro colégio. Que piegas. Ele se casou, tem filhos e deve estar feliz… e espero, barrigudo, feio e careca. Ai que dó, mentira!

O tempo passou e lá estava eu, novamente, envolvida em uma paixão ultra platônica. Campinas inteira (olha o exagero) curtia o cara. As meninas se jogavam. E ele ficava no seu canto. Tímido e chato que só ele. Vivia para implicar comigo, me xingar… Sabe o que eu lembro? Naquela época, ir aos domingos no shopping Galleria era febre. Eu ia todo final de semana. E, num desses passeios, o encontrei. A gente tinha um celular igual, dos tijolões da vida. E ele trocou o meu com o dele.. e guardou… OUMMMM.. que babaca! E quando eu fui pegar de volta, fiquei bem colada com ele… aquele coração palpitando… saindo pela boca… ele pedindo pra eu escutar… ele tremia! Será que era paixão? Casou e deve ser pai já! (…)

Bom, doeu, mas passou. Vieram os andradenses (tem um que mexe comigo até hoje e nem desconfia; o que desconfia está completamente louco – ou não!!!), o primeiro namorado, o segundo (antes que você me julgue, foram apenas 2… assumidos)… E mais paixão. Daquelas impossíveis, sempre. Ele lindo, famoso, com as meninas mais bonitas e novinhas da cidade. Eu, mais velha, com lentes de contato verdes, corpão em dia… É… ele não saía comigo em público. E se a namorada ou ficante ou sei lá o que visse? Passei meses chorando, idealizando encontros… ganhei um CD!

Nesta mesma época, um outro ser apareceu na minha vida. Vestido de mulher. Nada a ver comigo. Sistemático, nerd (naquela época eu  não curtia), ogro. E sim, eu também me apaixonei. Loucamente. Ligava toda hora, queria ver, brigava, xingava, ligava de novo. Era chifrada, na caruda, ligada de novo, xingava… Perdi contato. Último e-mail foi respondido com: Obrigado. Eu lembrei do aniversário dele.. mandei mensagem… tentei adicioná-lo no Facebook e wreal. Ele não gosta mais de mim. Não quer que eu saiba da vida dele. Será que ele se lembra de mim? Deve estar noivo!

Passou esse e mais alguns que eu não me recordo e a gente chega na atualidade. Eu paro por aqui, porque os mais recentes leem meu blog. Eles foram loucos o suficiente de me aceitar nas redes sociais. Entre jantares e risadas, dando indício de ser o ideal, massagens de casal (chique no último), declarações bêbadas de saudades, apelidos maldosos, que se tornaram uma boa propaganda… cá estou eu, pensando no meu número. Entre tantos, nenhum deu pro gasto? Devo fazer igual a mocinha do filme e sair procurando os ‘ex’? Devo me arrumar melhor para ir ao OBA Hortifruti? Deixa eu pensar… ou devo prestar mais atenção nos meus amigos, que adoram meu jeito, falam da minha risada, do meu olhar, do meu sorriso… do meu cabelo sem mafagafos… aqueles que me xingam, mas quando estão bêbados me ligam falando qualquer coisa seguida de “saudades”? Será?

Eu não sei que rumo minha vida vai tomar daqui pra frente, mas eu confesso que voltar no tempo me fez bem. Lembrei do meu catastrófico primeiro beijo. Da vez que meu irmão me trancou pra fora de casa porque eu estava no parquinho com um menino (e pasme, eu não quis nada com ele naquela época. Hoje, meu Deus, que deus… Tem homem que é melhor que vinho!). Lembrei dos sorrisos involuntários, do olhar brilhante, das cartinhas, dos SMS, das loucuras, pneus furados, tabus… Lembrei das minhas primas me arrumando pra… levar um fora. Elas acharam que seria um encontro!!! Lembrei da contagem regressiva, dos porres, das lágrimas, mas também dos beijos…

Lembranças. Ah, os caras da minha vida… Qual o seu número?!

O que você quer?

Vejo pessoas sonhando com o futuro. Trabalho, empresas, apartamentos, carros… uma vida pela frente. E no meio de tanta informação, eu me pergunto: e você, o que quer? Quantas vezes me peguei pensando na resposta… Tudo em vão.

Eu não quero nada. Eu não sonho em ir para fora do país, eu não sonho em entrar na melhor empresa do mercado, em ter o carro mais caro da concessionária… Eu sonho com festas, reuniões de família, viagens, com uma vida simples e, talvez, não muito longa. Eu não tenho medo do que está por vir, mesmo não tendo noção alguma do rumo que eu quero dar para o que está além dos meus olhos.

Sim, eu sonho com casamento, filhos, um lar. Mas só isso. Não fico pensando no assunto, não corro atrás das realizações. Eu apenas vivo. Se acontecer, aconteceu, senão, outras vidas virão!

Sou desprendida.  Não tenho medo da morte, mesmo que isso cause estranhamento. Eu estou pronta para partir. Estou pronta para viver em um mundo onde a “moeda” de troca é a caridade. Como isso me faz bem…

E não, não estou depressiva. Minha vida está toda azul, como dizem. Tenho minha família cada vez mais próxima, tenho de onde tirar meu sustento, tenho viajado como nunca… tenho mais do que mereço, acredito. E largaria tudo de uma hora para a outra.

Subiria aos céus, hoje, ao encontro dos meus. Daria um abraço de urso no meu Pai, apertaria com força as mãos de minha prima, passando a energia necessária para fortalecê-la, e encheria de beijos os meus avós. Diria o quanto foram importantes pra mim e para toda a nossa família. Aproveitaria cada momento “perdido” no tempo.

Essa sou eu. Sim, sentimental. Sim, amorosa, mesmo que muitos discordem. Sim, espírita e pronta, para um vida sem limites.

Que assim seja!

Pinterest é vida!

Não, não vim falar sobre as funcionalidades do novo queridinho do pedaço. Vim fazer uma analogia. Vocês já pararam pra pensar na semelhança entre o Pinterest e a nossa vida? Sim, nossa vida! Não?! Então, abram suas mentes já.

Estava indo pra casa quando tive o insight. No Pinterest é assim: você cria um perfil, algumas “boards” (temas) e começa a dar “pin”  em imagens que você gosta. Tipo, você está no site da Globo e vê um homem gatão. Você dá um “pin” nele e escolhe a “board” Eu ia. Pronto, ele agora faz parte da sua galeria! Fácil, né? E o que tudo isso tem a ver com a vida? Vamos lá.

Se o Pinterest fosse nossa vida, eu diria: não deixem que as “boards” modelos definam seu perfil. “Casa, trabalho, status, estudos, esportes…” Para tudo! Hello, as “boards’ são editáveis! Cada um constrói a sua própria vida, sua galeria. Quais são suas prioridades? Você acorda, vai pro trabalho, volta pra casa, dá um pulo na academia?!

A vida é uma só (não vou falar sobre religião, afinal, eu acredito em outras vidas, mas não vem ao caso)! Reserve um tempo pra organizar sua galeria. Define suas “boards”. Escolha minuciosamente quais imagens você quer dar uma “pinada”.

Neste meio tempo, eu percebi que eu já dei o primeiro passo. Eu já escolhi as “boards” da vez. Eu já escolhi quais atitudes, quais situações/pessoas merecem o meu ‘pin’. E sabe qual das minhas “boards” tem maior visibilidade? “Família”! É a que eu mais atualizo. Invisto um tempão nela – e se pudesse, investiria muito mais. Depois? Ah, depois vêm minhas paixões (onde coloco meus amigos), o lazer (quem vive sem festas? Eu não vivo!) e a FÉ (sim, eu acredito que ela é capaz de mover montanhas). E as suas, quais são?

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Quem eu era…

Eu era do tipo que ficava pensando nele, o dia inteiro. Ficava esperando um ‘oi’, um ‘e aí, tudo bem?”, um “estou com saudades”. Eu era do tipo que ao sair, por 2 meses, todo fim de semana, com alguém, achava que estava ‘ficando’, mesmo que se tratassem de encontros aleatórios e alcoolizados. Eu era do tipo que ia pra um churrasco querendo ver alguém e via, com outra pessoa. Chorava? Não. Bebia todas e saía contando minhas frustrações pra todo mundo. Bafão.

Eu era  do tipo que pedia pro cara, comprometido, parar de me procurar ou largar da namorada. Ele não parava e também não largava. E eu voltava à estaca zero. Eu era do tipo que deletava a pessoa do Facebook, mas voltava todo dia em seu perfil pra ver se o estado civil havia mudado. Eu era do tipo que ficava com alguém achando que no outro dia estaria namorando. Eu era do tipo que ficava pensando se ia ou não em uma festa em que encontraria pessoas que em algum passado próximo haviam me chateado. Tipo, um pega-pega, né?

Eu era desse tipo, que tinha gastrite, que sofria, que chorava, que ficava procurando defeitos em mim (por que sempre dava tudo errado?)… que queria provar pra mim mesma que conseguia as coisas, que estragava tudo por conta do orgulho, que não era flexível… que deixava de ir em um lugar porque o dono tinha feito um p*ta de uma sacanagem… que se achava um imã pra caras errados!

Eu era do tipo que vinha aqui e desabafafa, que escrevia e apagava… Eu era do tipo que assistia filmes pra pelo menos ver uma história feliz. Eu era do tipo que não sabia que enquanto eu chorava por alguém, uma pessoa ensaiava pra me convidar pra sair… Eu era deste tipo, até escolher um outro rumo pra minha história.

Quebrar paradigmas, eu fiz e gostei. E quero continuar fazendo. Quero ser flexível, ouvir/cantar rock, sair com o celular e não ativá-lo no modo ‘arma’, provar que eu sou superior a pessoas que querem me prejudicar e, claro, ser feliz comigo mesma. Esse é só o começo. Sigam-me os bons. Para, Digma!